
O imposto sobre gigabytes da França tem um problema de medição 11 votos a favor, 10 contra, 5,5 centavos por GB, e uma conta que recai sobre quem possui o último tubo 11 deputados votaram sim. 10 votaram não. Foi assim que a Assembleia Nacional da França aprovou um imposto de 5,5 centavos por gigabyte enviado aos usuários da internet franceses. ---------------------- A emenda (I-1358 ao orçamento de 2027) foi aprovada na sexta-feira, 30 de outubro, contra o parecer do governo e do relator geral do orçamento. Uma versão anterior já havia sido rejeitada na comissão de finanças. O remetente dos dados paga. Não você, não sua ISP. Seus autores esperam cerca de €10 bilhões por ano. Então, quem realmente acaba pagando, e alguém consegue medir isso? 👇 🔹Como o imposto supostamente funciona🔹 As ISPs medem os dados que fluem para seus clientes e identificam o remetente pela sua inscrição de rede IANA. A cada trimestre, os totais são enviados à receita federal. Taxa: €0,055 por GB. Teto: 15% da receita francesa do remetente ou 2% de sua receita global. Os autores citam a Arcep para cerca de 200 bilhões de GB por ano. 200 bilhões x €0,055 = €11 bilhões antes dos tetos. Próximo ao alvo de €10 bilhões. A conta viral “jogo de 200GB = €11 de imposto” ignora duas coisas: o remetente paga, e existe um teto. Os autores até nomeiam jogos e streaming como razão para o teto. 🔹Cinco nomes carregam metade do tráfego🔹 Arcep, final de 2025, participação no tráfego para usuários franceses: Akamai 12%, Netflix 11,6%, Amazon 9,8%, Google 8,9%, Meta 6,7%. Juntos: 48,9%. No papel, os 11,6% da Netflix correspondem a cerca de 23 bilhões de GB, ou cerca de €1,3 bilhão antes do teto entrar em vigor. Para $NFLX, o teto define a conta, não os gigabytes. 🔹A cláusula que transfere a conta🔹 Akamai não é um aplicativo de streaming. Ela entrega conteúdo de outras empresas. A emenda diz que, quando um remetente usa uma CDN, o volume contabilizado é o que sai da CDN. CDNs não precisam nomear seus clientes. Elas repassam ou não o imposto conforme seus próprios termos de venda. Assim, os 12% da $AKAM não desaparecem. Tornam-se uma linha na fatura de outra pessoa. É exatamente essa a preocupação do ministro David Amiel: uma grande parcela poderia recair sobre pequenos players, muitos deles franceses. 🔹O que o medidor não consegue ver🔹 O medidor identifica o remetente pela inscrição da rede, não pelo aplicativo. Tráfego servido por meio da rede de outra pessoa cai na conta dessa rede. Cerca de 21% do tráfego já vem de caches instalados dentro das próprias redes das ISPs. O imposto segue o tubo. O produto por trás dele é uma suposição. 🔹Antes de alguém pagar (NFA)🔹 ▫️ O Senado e o orçamento final 📝 Esta é uma votação em primeira leitura. Ainda pode ser reescrita ou descartada. ▫️ O decreto 📝 Como a medição funciona fica a cargo de um decreto. Sem decreto, sem medidor. ▫️ Faturas de CDN 📝 Se uma taxa adicional “dados para a França” aparecer em contratos de CDN, a conta foi transferida para baixo. Vou levar a sério se sobreviver ao Senado com a cláusula da CDN intacta. Vou registrar como manchete se o orçamento final a descartar ou se o decreto nunca for emitido. A França quer taxar o conteúdo. O medidor só consegue ver o tubo.