
Programadores ficaram 180% mais produtivos com IA. E o número de apps que as pessoas usam de verdade não aumentou. Os dois números foram medidos com 100 mil desenvolvedores, e juntos eles são o dado mais desconfortável da tecnologia em 2026. O estudo é do NBER. Cruzaram a atividade real no GitHub com os dados de uso de IA de cada desenvolvedor, separando o efeito de cada geração de ferramenta. O salto na produção de código é absurdo: → Autocomplete: +40% → Agentes que conversam com você: +140% → Agentes autônomos: +180% Quase três vezes mais código saindo da mesma pessoa. Parece a maior revolução de produtividade que o mundo já viu. Mas aí os pesquisadores fizeram a pergunta que quase ninguém quis fazer: quanto disso virou produto na mão de alguém? Acompanha o que acontece com esse ganho de 180%. Ele cai pra +50% quando a conta passa a ser por número de projetos. Quando você chega no que de fato é lançado, sobra só +30%. Quase todo o ganho some no caminho. E ainda tem a parte pior. Olha o gráfico do Financial Times. A linha de lançamentos de apps disparou. Enquanto isso, a quantidade de apps que ganham uso real ficou travada, e as avaliações dos usuários começaram a cair. A IA inundou o mundo de software que ninguém abre. A maior capacidade de produção da história, gasta criando coisa que morre no dia do lançamento. Por que isso acontece? O código sempre foi a parte fácil dessa história. O trabalho pesado vem depois dele: revisar, garantir que funciona, botar no ar e convencer alguém a usar aquilo. A IA acelerou de forma brutal um único elo dessa corrente, e deixou escancarado o quanto todo o resto ainda depende de gente. O que isso muda pra quem constrói daqui pra frente é direto. A IA tornou escrever código tão barato que virou commodity. Qualquer um produz agora, e rápido. O que vai valer ouro na próxima década é “taste” e julgamento: saber o que merece existir antes de você gastar a primeira hora construindo.
