TL;DR:
- Zcash, conhecida e promovida como uma das criptomoedas mais privadas, foi colocada em questão após a Arkham demonstrar como rastrear suas transações.
- Mais da metade da atividade na rede pode ser ligada a organizações, indivíduos ou entidades identificadas, segundo a análise da Arkham Intelligence.
- Endereços transparentes utilizados por exchanges e instituições expõem pontos de entrada e saída que ferramentas de inteligência de blockchain exploram para reconstruir fluxos de fundos.
Zcash é considerada uma das criptomoedas de privacidade mais sofisticadas do mercado. No entanto, uma análise publicada pela empresa de inteligência blockchain Arkham Intelligence revela que mais da metade de toda a atividade em sua rede pode ser identificada e vinculada a indivíduos, organizações ou entidades conhecidas. A plataforma afirma ter atribuído aproximadamente US$ 420 bilhões em volume de transações ZEC, um valor que contrasta fortemente com a reputação de opacidade que envolve o protocolo.
A explicação por trás desta análise não reside em uma falha criptográfica, mas na forma como a rede é construída e, acima de tudo, na forma como é utilizada por seus maiores participantes.
Como rastrear transações do ZCash
Zcash é uma criptomoeda focada em privacidade construída sobre a base de código do bitcoin, utilizando zk-SNARKs para ocultar dados de transações na cadeia.
Nossa equipe de pesquisa escreveu um guia sobre como o Zcash funciona, por que a maioria das atividades de ZEC ainda é rastreável e como rastreá-la com… pic.twitter.com/87kLo2I0mC
— Arkham (@arkham) May 25, 2026
Ninguém explora as capacidades do Zcash
O Zcash suporta dois tipos de endereços: transparentes, conhecidos como t-addresses, e protegidos ou z-addresses. Transações entre endereços transparentes são completamente visíveis na cadeia, de maneira idêntica ao bitcoin. A privacidade criptográfica total é alcançada apenas em transferências de z para z, onde o remetente, o destinatário e as quantias permanecem ocultos por meio de zk-SNARKs, um sistema de prova de conhecimento zero que permite a verificação de transações sem expor os dados subjacentes.
O problema é que a maioria da atividade no Zcash nunca atinge o pool protegido. Exchanges, custodians e participantes institucionais preferem endereços transparentes por razões regulatórias e de conformidade. Isso torna os pontos de entrada e saída da rede perfeitamente visíveis, exatamente o tipo de dado que as empresas de inteligência de blockchain exploram.
De acordo com a Arkham, os endereços protegidos permanecem opacos e aparecem apenas rotulados como SHIELDED, mas os fluxos ao redor deles frequentemente revelam metadados suficientes para rastrear o comportamento do usuário.

Cazes, Gemini e a Trilha do Dinheiro
De acordo com o relatório, a Arkham identificou, em uma carteira rastreada, fundos Zcash supostamente ligados a Alexandre Cazes, um cidadão canadense de 26 anos preso em 2017 e identificado como o operador do mercado de darknet AlphaWeb. Separadamente, a plataforma identificou um trader que, segundo relatos, transferiu fundos para a exchange Gemini semanas após a compra, convertendo um investimento de US$ 4,49 milhões em ZEC em um lucro de US$ 6,6 milhões.
A análise não implica que a privacidade do Zcash seja comprometida em nível técnico. Transações puramente protegidas permanecem criptograficamente inacessíveis. O que o relatório expõe é uma questão de uso: a privacidade do protocolo depende menos de sua arquitetura do que da disciplina com que cada usuário escolhe aplicá-la.

