O Departamento de Estado dos EUA acabou de colocar as duas organizações criminosas mais poderosas do Brasil na mesma lista que grupos como o ISIS e a al-Qaeda. Isso não é hiperbole. É política federal.
Em 28 de maio de 2026, o departamento designou Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados sob a Ordem Executiva 13224. A designação formal como Organização Terrorista Estrangeira entra em vigor em 5 de junho de 2026, tornando CV e PCC as primeiras entidades brasileiras a serem incluídas na lista de OTF dos EUA.
O que as designações realmente significam
O rótulo SDGT aciona automaticamente sanções de bloqueio, o que significa que todos os ativos detidos por essas organizações dentro da jurisdição dos EUA são congelados. Qualquer pessoa ou entidade dos EUA que forneça voluntariamente suporte material enfrenta processamento criminal sob as leis federais antiterrorismo.
O PCC já estava sujeito a sanções contra o tráfico de drogas sob a Ordem Executiva 14059, imposta pela primeira vez em dezembro de 2021. Um operador-chave do PCC foi sancionado em março de 2024 por envolvimento em lavagem de dinheiro no valor de US$ 240 milhões. Mas a designação como organização terrorista representa um aumento significativo, ampliando o escopo das transações proibidas e aumentando drasticamente as penalidades por violações.
Antes do CV e do PCC, 15 grupos da América Latina já haviam sido designados como FTOs. A adição dessas duas organizações brasileiras sinaliza que Washington considera suas operações transnacionais, que supostamente se estendem até os Estados Unidos, uma ameaça à segurança nacional equivalente às redes terroristas estabelecidas.
O ângulo cripto complica tudo
Tanto o CV quanto o PCC supostamente têm utilizado criptomoedas, incluindo operações de mineração de bitcoin, para lavar lucros provenientes do tráfico de drogas. A designação como terrorismo adiciona uma nova camada de urgência. Empresas que operam exchanges de criptomoedas, processadoras de pagamentos ou serviços de custódia no Brasil agora enfrentam requisitos aprimorados de due diligence que vão além dos protocolos padrão de combate à lavagem de dinheiro. Sob leis antiterrorismo dos EUA, o limiar de responsabilidade é mais baixo e as consequências são mais severas do que sob estatutos típicos de crimes financeiros.
O que isso significa para os investidores
A preocupação imediata para investidores com exposição ao mercado brasileiro é o custo operacional. A conformidade aprimorada não é gratuita. Bancos, empresas de pagamento e empresas de agroindústria com cadeias de suprimentos que tocam áreas onde essas organizações operam precisarão investir em infraestrutura aprimorada de triagem e monitoramento.
Os setores mais diretamente afetados são finanças e agroindústria, ambos com exposição documentada a redes de crime organizado no Brasil. As empresas desses setores precisarão demonstrar não apenas que não fazem negócios diretamente com CV ou PCC, mas também que seus parceiros e fornecedores da cadeia de suprimentos não o fazem.
A medida também cria um precedente. Se os EUA estiverem dispostos a aplicar designações de FTO a organizações criminosas principalmente conhecidas pelo tráfico de drogas, em vez de violência motivada ideologicamente, o universo de possíveis designações futuras se expande consideravelmente.
