Um estudo publicado pelo Ledn e pela Protocol Theory conclui que o empréstimo com garantia de bitcoin ainda está em estágio inicial, mas a demanda potencial é claramente superior ao nível atual de uso. O relatório estima que, se a transparência do produto, a segurança da custódia e o ambiente regulatório melhorarem, esse mercado poderá crescer para até US$ 1 trilhão no futuro.
A demanda é maior do que o uso real
Este estudo de 7 páginas tenta medir a lacuna de demanda por empréstimos garantidos por criptomoedas. O relatório afirma que 88% dos detentores de ativos criptográficos afirmaram estar dispostos a financiar pelo menos um consumo ou investimento planejado por meio de produtos de empréstimo ou crédito, mas apenas 14% já utilizaram esses serviços.
Estudos indicam que os principais obstáculos à adoção não são a falta de conhecimento do produto pelos usuários nem a ausência de demanda, mas sim preocupações com segurança e confiabilidade da plataforma. As questões mais relevantes para os usuários incluem se as taxas de juros são transparentes, se os mecanismos de liquidação forçada são claros e se os ativos em custódia são seguros.
Como funcionam os empréstimos com garantia em BTC
A lógica básica desse tipo de produto é semelhante à dos empréstimos garantidos tradicionais. Os usuários depositam BTC em uma carteira designada pelo credor como garantia, em troca de um empréstimo em moeda fiduciária ou estável. O valor do empréstimo geralmente corresponde a apenas 50% a 70% do valor da garantia, para fornecer uma margem de segurança contra flutuações de preço.
O mutuário deve pagar juros anualmente, com o intervalo comum mencionado no texto sendo de 5% a 15%. Após o pagamento integral do principal e dos juros, o BTC colateralizado poderá ser resgatado.
O indicador mais importante é a relação empréstimo-valor (LTV). Se o preço do Bitcoin cair, o LTV aumenta, elevando o risco do empréstimo. Quando a taxa de colateral atingir o limiar definido pela plataforma, o credor geralmente venderá automaticamente parte ou todo o BTC para recuperar moeda fiduciária ou stablecoin e liquidar o empréstimo.
O tamanho do mercado ainda está abaixo do crédito tradicional
Estudos indicam que o mercado de empréstimos garantidos no setor financeiro tradicional já atingiu trilhões de dólares, enquanto o empréstimo garantido por criptomoedas ainda representa apenas uma pequena fração desse total. O relatório menciona que esse mercado atingiu um pico sazonal no terceiro trimestre de 2025, mas seu tamanho total ainda não ultrapassou US$ 74 bilhões.
Ledn e Protocol Theory acreditam que, se os problemas de confiança forem mitigados, o volume de empréstimos criptograficamente garantidos tem potencial para se aproximar de mercados maduros como empréstimos garantidos por ações, podendo, a longo prazo, ultrapassar 1 trilhão de dólares.
No entanto, o relatório também aponta que esse crescimento não será concluído em curto prazo. Além de aumentar a transparência e a segurança de custódia, o mercado precisa de um ambiente regulatório mais claro, bem como de menor volatilidade de preços a médio e longo prazo.
A pesquisa também destaca que a volatilidade em si é uma das características importantes do Bitcoin. Mesmo que a volatilidade de longo prazo possa diminuir gradualmente, ainda é uma questão que precisa ser enfrentada na expansão desse tipo de produto: se essa redução será suficiente para diminuir significativamente o risco de liquidação.

