Quatro dos nomes mais poderosos nos pagamentos, Stripe, Visa, Mastercard e Coinbase, estão formando um consórcio para lançar uma nova plataforma de stablecoin. As empresas que processam coletivamente a maioria das transações de cartão do mundo querem uma fatia do segmento de cripto mais rápido em crescimento.
O mercado de stablecoins atualmente supera US$ 325 bilhões em valor total. Circle e Tether juntas comandam aproximadamente 80% desse mercado. Esse consórcio é um desafio direto a esse duopólio e é apoiado por empresas com redes de distribuição que superam qualquer coisa no cripto hoje.
O que sabemos até agora
Stripe, Visa e Mastercard são os apoiadores confirmados da próxima plataforma, com a Coinbase supostamente considerando juntar-se ao esforço. O projeto ainda está em estágios iniciais, sem nome oficial, detalhes de token ou estrutura de reserva divulgados publicamente.
A Stripe adquiriu a Bridge, uma empresa de infraestrutura de stablecoin, por US$ 1,1 bilhão no final de 2024. A Mastercard adquiriu a BVNK no início de 2026 para fortalecer suas próprias capacidades de stablecoin. Relatos sobre esse consórcio surgiram em 3 de junho de 2026, provenientes de fontes anônimas.
A possível participação da Coinbase adiciona credibilidade nativa à criptomoeda aos participantes da finança tradicional. A Coinbase opera uma das maiores exchanges regulamentadas nos EUA e já possui laços profundos com o ecossistema de stablecoins por meio de sua parceria com a Circle no USDC. A empresa arrecada receita significativa de atividades relacionadas ao USDC, o que torna sua possível participação em um empreendimento concorrente de stablecoin particularmente complicada.
Por que as grandes empresas de pagamentos tradicionais querem entrar
As stablecoins podem facilitar pagamentos transfronteiriços a uma fração do custo do tradicional banco correspondente. Visa e Mastercard operam em mais de 200 países e territórios. Stripe suporta pagamentos para milhões de negócios na internet. Coinbase atende dezenas de milhões de usuários de cripto varejistas e institucionais.
Reação do mercado e consequências competitivas
As ações tanto da Circle, que negocia sob o ticker CRCL, quanto da Coinbase caíram após a notícia. A queda da Circle reflete que o USDC é o produto mais diretamente alvo. A queda da Coinbase provavelmente reflete incerteza sobre se o possível papel da Coinbase no consórcio poderia complicar seus fluxos de receita existentes do USDC.
O momento também importa. A regulamentação das stablecoins dos EUA tem avançado em direção a estruturas mais claras, o que tende a favorecer emissores grandes e bem capitalizados com infraestrutura de conformidade.
O Facebook tentou algo semelhante com a Libra (posteriormente renomeada para Diem) em 2019, reunindo um consórcio de empresas de pagamento e de tecnologia. Esse projeto colapsou sob pressão regulatória. A diferença desta vez: o ambiente regulatório é mais favorável, a tecnologia é mais madura e as empresas envolvidas já investiram bilhões em infraestrutura de stablecoins antes mesmo de anunciar a parceria.


