A S&P Global traçou uma linha no chão. A empresa anunciou em 4 de junho que não criará exceções aos critérios de elegibilidade do S&P 500 com base apenas na capitalização de mercado, bloqueando efetivamente a SpaceX de qualquer entrada acelerada no índice de ações mais acompanhado do mundo.
A decisão ocorre em um momento particularmente incômodo para a empresa de foguetes de Elon Musk, que se prepara para o que pode ser o maior IPO da história. Sob as regras inalteradas, a SpaceX deve aguardar um mínimo de 12 meses após sua estreia na bolsa antes mesmo de ser considerada para inclusão.
O problema de rentabilidade
O S&P 500 exige que as empresas apresentem lucro líquido positivo segundo os GAAP no seu trimestre mais recente e nos quatro trimestres anteriores combinados.
Para a SpaceX, esse requisito é um obstáculo significativo. A empresa relatou um prejuízo de US$ 4,94 bilhões em 2025, o que significa que a SpaceX precisaria passar de quase US$ 5 bilhões no vermelho para uma lucratividade demonstrável e sustentável antes que o comitê da S&P sequer marcasse uma reunião.
A decisão da S&P Global ocorreu após consultas com investidores sobre a possibilidade de modificar suas regras de viabilidade financeira, tempo de mercado e fator de peso investível.
Tanto a Nasdaq quanto a FTSE Russell ajustaram seus próprios critérios para facilitar a inclusão mais rápida de IPOs de mega-cap.
O estoque de bitcoin da SpaceX adiciona uma complexidade cripto
Escondido no arquivo S-1 da SpaceX está um detalhe que chamou a atenção do mundo cripto: a empresa revelou detenções de 18.712 bitcoin com base de custo de US$ 661 milhões.
A divulgação do bitcoin importa por duas razões. Primeiro, significa que o balanço da SpaceX possui exposição significativa à volatilidade dos preços de criptoativos, o que pode complicar seu caminho rumo à lucratividade consistente segundo os GAAP, dependendo de como esses ativos são avaliados. Segundo, sinaliza que a SpaceX está alinhada filosoficamente com o crescente grupo de empresas que tratam o bitcoin como um ativo de tesouraria.
O que isso significa para os investidores
Quando uma empresa entra para o S&P 500, fundos passivos que a acompanham são obrigados a comprar ações, criando uma onda de demanda que historicamente impulsiona os preços para cima. A SpaceX precisa fazer uma oferta pública, aguardar 12 meses e, em seguida, demonstrar quatro trimestres consecutivos de lucratividade segundo as GAAP. Dado o prejuízo de US$ 4,94 bilhões relatado para 2025, mesmo um cenário otimista coloca a inclusão no S&P 500 apenas em 2028 no mínimo.
Se a Nasdaq ou a FTSE Russell adicionarem a SpaceX aos seus índices mais rapidamente, os fundos que rastreiam esses índices terão exposição primeiro, o que poderia deslocar significativamente os fluxos de produtos vinculados ao S&P.

