A Nvidia, empresa que construiu seu império sobre processadores gráficos, agora está se voltando para o mercado de CPUs com a ambição que deveria deixar a Intel e a AMD profundamente desconfortáveis.
A empresa está projetando aproximadamente US$ 20 bilhões em receita independente de CPU para 2026. Para contexto, isso é quase do tamanho de toda a receita anual da AMD.
A estratégia de desagregação
A estratégia centra-se em duas famílias de chips: o Grace CPU, que já está sendo enviado, e o próximo Vera CPU, que deverá alimentar servidores apenas com CPU a partir de 2027. Ambos são construídos na arquitetura Arm, posicionando a Nvidia como concorrente direta dos fornecedores x86 que dominam a computação de data centers há décadas.
Uma parceria de vários anos com a Meta é o sinal mais claro do rumo que isso está tomando. O acordo inclui a implantação de CPUs Grace autônomas e planos para servidores exclusivamente com CPUs Vera.
O cenário de trilhões de dólares
O CEO Jensen Huang estimou a demanda cumulativa por computação de IA em US$ 1 trilhão de 2025 a 2027. Esse valor foi revisado para cima de uma previsão anterior de US$ 500 bilhões.
A receita da Nvidia para o exercício fiscal de 2026 atingiu US$ 215,9 bilhões, um aumento de 65% em relação ao ano anterior. A grande maioria desse crescimento veio dos sistemas de IA para data centers.
Alguns analistas chegaram a sugerir que a parceria com a Meta poderia acender um “superciclo de CPUs”, impulsionado pela crescente demanda por processadores discretos para data centers.
Por que isso importa para investidores e o mercado em geral
Para a Intel, essa é uma ameaça existencial acrescentada às ameaças existenciais já existentes. A Intel vem perdendo participação de mercado em data centers para a AMD há anos, e agora a Nvidia está entrando no jogo com uma alternativa baseada em Arm, acompanhada pela marca mais forte na computação de IA.
A AMD tem sido a desafiadora resiliente que ganha terreno nos CPUs de data centers com sua linha EPYC, mas a entrada da Nvidia significa que a AMD agora está lutando em duas frentes: defendendo sua participação de mercado em GPUs contra o domínio da Nvidia enquanto protege simultaneamente suas conquistas em CPUs da nova ofensiva da Nvidia.
O risco a ser observado é a execução. A Nvidia nunca foi principalmente uma empresa de CPUs, e escalar um negócio de processadores para US$ 20 bilhões em receita exige capacidade de fabricação, confiabilidade da cadeia de suprimentos e relações de vendas empresariais que diferem significativamente de seu modelo de GPUs. A aposta na arquitetura Arm também apresenta risco de plataforma: embora os chips de data center baseados em Arm tenham ganhado tração (o Amazon Graviton sendo o principal exemplo), o x86 ainda domina a esmagadora maioria da infraestrutura de servidores instalada.
