O dinheiro inteligente não consegue se acordar sobre o bitcoin. Enquanto os fundos de hedge corriam para sair no Q1, vendendo posições de ETFs de bitcoin spot no valor de 31.400 BTC, os bancos fizeram exatamente o oposto, adicionando 7.800 BTC e mais que dobrando suas posições.
Os dados provêm da análise da CoinShares das declarações 13F do Q1 2026, divulgações trimestrais obrigatórias que investidores profissionais com mais de US$ 100 milhões em ativos sob gestão devem apresentar à SEC.
A grande divisão institucional
As participações totais de investidores profissionais nos ETFs de bitcoin spot nos EUA caíram de 313.000 BTC para 261.000 BTC durante o trimestre. Isso representa uma redução de 17%, ou cerca de 52.500 BTC saindo pela porta.
Em termos de dólar, os danos pareceram ainda piores. O valor total dessas posições caiu 35%, ficando em US$ 17,8 bilhões. Parte disso foi causado pela venda em si, e parte pela queda do preço do bitcoin em cerca de 22% no mesmo período.
Quase todo o volume de vendas líquidas veio de apenas duas categorias. Os fundos de hedge reduziram 31.400 BTC, uma diminuição de 39% em suas posições. As corretoras reduziram mais 18.800 BTC, cortando seus staking em 53%. Juntos, esses dois grupos representaram aproximadamente 96% do total da venda institucional.
Assessores de investimento, a maior categoria única por volume de ativos, mal se mexeram. Reduziram posições em apenas 5,9%, mantendo uma base de 150.300 BTC.
E depois estavam os bancos. O JPMorgan adicionou aproximadamente 3.000 BTC às suas participações em ETFs. O Wells Fargo foi ainda mais longe, adquirindo cerca de 4.000 BTC. Em todo o setor bancário, as posições totais ultrapassaram 15.200 BTC, mais do que o dobro do valor inicial do trimestre.
Por que a divisão importa
O analista da CoinShares Matt Kimmell ofereceu uma explicação direta para a divergência. Durante recessões, estratégias alavancadas tendem a ser desfeitas. Os ativos não desaparecem. Eles migram das mãos de investidores buscadores de risco para mãos mais estáveis, como bancos e consultores de investimento.
Muitos fundos de hedge não estão fazendo apostas direcionais na subida do bitcoin. Eles estão realizando operações de basis, comprando ETFs à vista e vendendo curto futuros de bitcoin para capturar o spread entre os dois. Quando a volatilidade aumenta e esse spread se comprime, a operação deixa de funcionar. Por isso, eles a encerram.
A queda de 35% no valor em dólar dos ativos detidos por ETFs institucionais, de aproximadamente US$ 27,4 bilhões para US$ 17,8 bilhões, também merece contexto. Uma parte significativa dessa redução foi simplesmente a queda no preço do bitcoin, e não uma venda ativa por instituições. A redução real de BTC foi de 17%, o que significa que a queda de preço amplificou consideravelmente a percepção.

