O vice-president sênior da ExxonMobil, Neil Chapman, disse aos participantes da Bernstein Strategic Decisions Conference que o petróleo Brent antigo poderia disparar para entre US$ 150 e US$ 160 por barril. O prazo que ele mencionou não foi meses ou trimestres. Foi de duas a três semanas.
O catalisador, segundo Chapman, é algo aparentemente simples: o mundo está se esgotando em petróleo armazenado. Os estoques comerciais globais de petróleo bruto e produtos refinados caíram para níveis que ele descreveu como “inéditos”, e o margem entre os estoques atuais e o mínimo necessário para manter as refinarias e cadeias de suprimento funcionando está ficando perigosamente fina.
O problema de estoque escondido à vista
Chapman observou que o petróleo bruto tem negociado em uma faixa de US$ 90 a US$ 110 por barril por aproximadamente seis semanas. Essa faixa está sendo mantida por reduções contínuas nos estoques, o que significa que o mundo está consumindo óleo armazenado mais rapidamente do que o está substituindo.
Os estoques atuais estão bem abaixo das médias de cinco anos. As nações ocidentais recorreram a liberações das reservas petrolíferas estratégicas para mascarar temporariamente o quão apertadas as coisas se tornaram. Essas liberações disfarçaram a lacuna de oferta por um tempo, mas também significam que o suporte de emergência em si está esgotado.
O aviso de Chapman possui um gatilho de limiar específico. Se os estoques caírem abaixo do mínimo operacional necessário para manter o sistema global de refino e distribuição funcionando, a meta de preço de US$ 150 a US$ 160 torna-se não uma previsão, mas uma inevitabilidade.
Geopolítica derramando gasolina sobre o fogo
As tensões ao redor do Estreito de Hormuz, o estreito por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo mundial diariamente, aumentaram significativamente. Qualquer interrupção no tráfego por esse ponto estratégico removeria imediatamente milhões de barris por dia da oferta global, em um momento em que não há praticamente nenhuma margem para absorver o choque.
A ExxonMobil recentemente transferiu sua sede corporativa de Nova Jersey para o Texas, uma mudança que coincidiu com essas tensões crescentes no Oriente Médio.
Chapman não está sozinho ao emitir o alerta. Executivos da Chevron emitiram avisos paralelos, prevendo que os preços do petróleo podem atingir US$ 140 a US$ 160 por barril no curto prazo, com base nas mesmas restrições de oferta.
Chapman descreveu os níveis atuais de estoque como “inéditos”, alertando que o petróleo Brent pode atingir US$ 150 a US$ 160 por barril dentro de duas a três semanas se os estoques ultrapassarem os mínimos operacionais.
O que isso significa para investidores e mercados de criptomoedas
Para o Federal Reserve, um aumento nos preços de energia elevaria significativamente a inflação geral, podendo forçar o Fed a adiar ou até reverter sua política de flexibilização monetária.
As ações de energia seriam os beneficiários óbvios. ExxonMobil e Chevron teriam lucros extraordinários com o petróleo acima de US$ 150. Os traders também devem considerar os efeitos de segunda ordem na economia da mineração de bitcoin. Preços mais altos de energia aumentam diretamente o custo da mineração proof-of-work, comprimindo as margens para mineradores já operando com lucratividade reduzida.
A janela descrita por Chapman é estreita. Duas a três semanas não são muito tempo para os mercados ajustarem suas posições. A diferença entre o petróleo a US$ 110 e US$ 160 pode depender de um único número de drawdown semanal cruzando o limite errado.
