Um alto funcionário do Banco Central Europeu emitiu um alerta direto: stablecoins, agora em transição para a finança mainstream, apresentam as mesmas fraquezas estruturais que um dia derrubaram fundos do mercado monetário — e seu crescimento explosivo pode consagrar silenciosamente a dominância do dólar americano às custas do euro. Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do BCE, fez essas observações na Conferência Internacional do Banco da Coreia, em Seul, em 1º de junho. Schnabel traçou uma ligação direta entre as grandes stablecoins atuais e os fundos do mercado monetário das décadas de 1970 e 2000: ambos alocam o dinheiro dos investidores em ativos de curto prazo “seguros”, prometem resgates ao par ou próximo a ele, e operam em grande parte fora do sistema bancário regulado. Essa combinação, ela alertou, os torna vulneráveis a corridas e vendas forçadas — exatamente as dinâmicas que congelaram os mercados de financiamento de curto prazo após o fundo Reserve Primary quebrar a paridade em 2008. Schnabel estimou o mercado global de stablecoins em cerca de US$ 300 bilhões, com Tether e USDC representando cerca de 90% desse total. Tokens denominados em euros ainda são minúsculos — apenas cerca de €500 milhões no total — e cerca de 85% do volume de transações de stablecoins permanece dentro de plataformas de negociação de criptoativos, e não em pagamentos ou mercados financeiros mais amplos. Esses fatos são importantes: com quase todas as stablecoins denominadas em dólares, sua expansão pode aprofundar a dominância do dólar e enfraquecer o papel do euro na finança tokenizada. Os reguladores já estão respondendo. Sob as regras da UE sobre Mercados em Ativos Cripto (MiCAR), as stablecoins na área do euro devem manter uma porção mínima de reservas em depósitos bancários — 30% para emitentes comuns e 60% para os sistemicamente significativos. Schnabel disse que essas regras aumentam a liquidez das reservas, mas reduzem a rentabilidade dos emitentes, ilustrando os trade-offs entre estabilidade e viabilidade comercial. A resposta estratégica do BCE vai além da regulamentação. Schnabel apresentou a abordagem do banco como dupla: estabelecer limites para stablecoins privadas e desenvolver uma alternativa pública. Esse impulso público inclui trabalhos em um euro digital voltado ao consumidor e um banco central digital de varejo por meio de projetos chamados Pontes e Appia. A mensagem: as autoridades do eurosistema planejam competir em infraestrutura e tecnologia, não apenas fiscalizar os arredores. Para criadores de cripto e participantes do mercado, os comentários de Schnabel são um sinal claro de que o cenário regulatório e competitivo está mudando rapidamente. Stablecoins já não são mais uma experiência periférica — os formuladores de políticas as veem como uma possível fonte de risco sistêmico e uma alavanca estratégica na competição monetária. Isso significa que equipes criando dinheiro tokenizado enfrentarão regras mais rígidas sobre liquidez, reservas e governança, e passarão a competir cada vez mais com alternativas de moeda digital pública. Em resumo: stablecoins estão se expandindo para a finança do mundo real, mas os mesmos recursos que as tornam úteis — conversibilidade, liquidez e promessas de estabilidade — também as expõem aos riscos clássicos de corrida. Os reguladores querem limitar esses riscos enquanto garantem que as moedas soberanas não sejam deslocadas na era digital.
Funcionário do BCE alerta que stablecoins correm risco de corridas e podem fortalecer a dominância do dólar
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Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do BCE, alertou que as stablecoins enfrentam riscos de liquidez e de mercados de criptomoedas, incluindo corridas e vendas forçadas. Na conferência do Banco da Coreia em 1º de junho, ela as comparou a fundos do mercado monetário. O mercado de stablecoins vale US$ 300 bilhões, com Tether e USDC detendo 90%. Medidas CFT fazem parte do MiCAR, a abordagem regulatória do BCE. As stablecoins baseadas no euro permanecem pequenas, sendo principalmente utilizadas em negociações de criptomoedas. O BCE também está impulsionando a criação de um euro digital e de um CBDC varejista.
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