Uma empresa de energia renovável dos EUA acabou de assinar um acordo de US$ 6,2 bilhões para construir uma enorme usina hidrelétrica e um centro de dados de IA em um dos países mais pequenos da África.
A Convalt Energy assinou um Memorando de Entendimento com o Ministério da Energia do Lesoto em 4 de junho, avaliado em 98 bilhões de maloti (cerca de US$ 6,2 bilhões). O projeto, denominado Kobong Hydropower and AI Data Centre Project, será localizado no Distrito de Mokhotlong e representa o maior investimento estrangeiro direto já comprometido no Lesoto.
O que o projeto Kobong realmente envolve
O ponto central é uma instalação hidrelétrica de 1.200 MW. Para o Lesoto, que atualmente importa a maioria de sua eletricidade da África do Sul, essa capacidade é transformadora.
O segundo componente é um data center de IA, que seria alimentado pela energia limpa gerada pela usina hidrelétrica.
As negociações contaram com alguns nomes notáveis. O Rei Letsie III do Lesoto liderou as discussões do lado do país, enquanto Richard Gephardt, ex-líder da maioria na Câmara dos EUA e atual membro do conselho da Convalt Energy, representou a empresa.
A Convalt Energy, estabelecida em 2011, está se posicionando como uma desenvolvedora no cruzamento entre energia renovável e infraestrutura digital.
Por que Lesoto, e por que agora
A geografia do Lesoto torna isso menos surpreendente do que parece. O país está localizado em alta altitude na cadeia de montanhas Drakensberg, com importantes recursos hídricos que historicamente foram exportados para a África do Sul por meio do Projeto Hídrico das Montanhas de Lesoto.
O acordo deve gerar mais de US$ 2 bilhões em oportunidades de exportação americana, o que significa que os fabricantes dos EUA de turbinas, equipamentos de construção e infraestrutura relacionada devem se beneficiar diretamente.
O que isso significa para os investidores
A questão sobre os Memorandos de Entendimento é que eles são declarações de intenção, não contratos de construção vinculativos. A lacuna entre um MOA assinado e um projeto de infraestrutura de US$ 6,2 bilhões concluído é enorme. O financiamento precisa ser garantido. Avaliações ambientais precisam ser realizadas.
O cenário competitivo para a infraestrutura energética africana está aquecendo. Empresas chinesas dominaram os investimentos em infraestrutura em todo o continente por anos. Um projeto apoiado pelos EUA desta magnitude, com um ex-líder da maioria da Câmara em seu conselho, sinaliza um esforço intencional para competir por essa participação de mercado. Os mais de US$ 2 bilhões em exportações americanas previstas reforçam esse ponto.
