A ByteDance, empresa por trás do TikTok, está desenvolvendo seus próprios CPUs. A razão é simples: comprá-los da Intel e da AMD tornou-se dolorosamente caro.
Os preços de CPUs dos principais fornecedores aumentaram de 10% a 35% em relação ao trimestre anterior, segundo a Reuters, e as restrições de oferta esticaram os prazos de expansão até o limite. Para uma empresa prevista para gastar RMB 160 bilhões (cerca de US$ 22,8 bilhões) em despesas de capital relacionadas a IA em 2026, esses aumentos de preço se acumulam rapidamente.
A jogada de silício personalizado
A ByteDance está atualmente em desenvolvimento inicial, avaliando as arquiteturas Arm e RISC-V para os novos chips. A empresa também está buscando parcerias para design e fabricação, o que sugere que não está tentando construir uma operação completa de semicondutores do zero.
O caso de uso alvo é interno. Esses CPUs são destinados a alimentar os próprios servidores e centros de dados da ByteDance, com foco particular em suportar produtos de IA baseados em agentes, como sua plataforma Coze.
Quase metade desse orçamento de US$ 22,8 bilhões em IA é supostamente destinada ao desenvolvimento de semicondutores avançados.
ByteDance entra para o clube
O ByteDance não está inovando essa abordagem. Está seguindo um caminho bem estabelecido traçado pelo Google, Amazon e Microsoft, todas as quais investiram pesadamente em projetos personalizados de CPUs para otimizar custo e desempenho para cargas de trabalho de IA.
O Google possui seus processadores Axion. A Amazon possui o Graviton, agora em sua quarta geração, alimentando uma grande parte da computação da AWS. A Microsoft possui seus chips Cobalt.
A escolha arquitetônica entre Arm e RISC-V é reveladora. A Arm é a opção comprovada, já testada em ambientes de nuvem pela Amazon e outras. O RISC-V é o recém-chegado de código aberto, oferecendo maior flexibilidade de design e sem taxas de licenciamento, mas com um ecossistema menos maduro. O fato de que a ByteDance está avaliando ambas sugere que o projeto ainda está em fase inicial, e as decisões arquitetônicas fundamentais ainda não foram definidas.
Para a ByteDance especificamente, as restrições de exportação dos EUA sobre semicondutores avançados para a China criaram incerteza persistente nas cadeias de suprimento para empresas de tecnologia chinesas. Desenvolver silício personalizado, mesmo que fabricado por parceiros, dá à ByteDance mais controle sobre seu destino tecnológico em um cenário geopolítico cada vez mais fragmentado.
O que isso significa para os investidores
A implicação imediata para os investidores em semicondutores é sutil. Por um lado, o fato de o ByteDance projetar CPUs personalizadas significa potencialmente menos compras da Intel e da AMD a longo prazo. Por outro lado, o projeto de chips personalizados exige parceiros de fabricação, e a lista reduzida de empresas capazes de fabricar chips avançados é realmente muito curta.
