A Bitmine Immersion Technologies está buscando mais Ethereum e está disposta a pagar rendimentos quase de dois dígitos para obtê-lo.
A empresa listada na NYSE (ticker: BMNR) anunciou planos de emitir 3 milhões de ações da Série A Perpétua de Ações Preferenciais com dividendos de 9,50%, com valor nominal de US$ 100 cada. Se totalmente subscrita, a oferta geraria até US$ 300 milhões em receitas brutas. As novas ações devem ser negociadas na NYSE sob o ticker BMNP, sujeitas a aprovações.
O uso principal dos recursos: comprar mais ETH, expandir a infraestrutura de staking e potencialmente recomprar ações ordinárias.
Os números por trás do tesouro de ethereum da Bitmine
Em início de junho de 2026, a Bitmine detém aproximadamente 5,42 milhões de ETH. Esse estoque representa cerca de 4,3% a 4,5% da oferta total de Ethereum, com valor entre US$ 10 bilhões e US$ 11,6 bilhões, dependendo do dia.
Esses números parecem impressionantes até você considerar o contexto. A empresa está com uma perda não realizada superior a US$ 9 bilhões, consequência da acumulação agressiva durante períodos de forte preço que desde então desapareceram. A carteira valia mais de US$ 13 bilhões nos máximos anteriores.
A ambição declarada da empresa é alcançar 5% do suprimento total de ETH por meio da estratégia chamada de “Alquimia de 5%”. Essa lacuna entre 4,3% e 5% pode parecer pequena em termos percentuais, mas fechá-la exige adquirir centenas de milhares de tokens ETH adicionais nos níveis atuais de suprimento.
Ao contrário da emissão de novas ações ordinárias, que dilui diretamente os acionistas existentes, as ações preferenciais ocupam uma camada diferente na estrutura de capital. Os detentores têm prioridade sobre os dividendos e, normalmente, em cenários de liquidação. A contrapartida para a Bitmine é direta: ela evita diluir os acionistas de ações ordinárias, mas se compromete com uma obrigação fixa de dividendo anual de 9,50%, pago semanalmente em dinheiro, se declarado pelo conselho.
Um rendimento de 9,50% sobre US$ 300 milhões em ações preferenciais equivale a aproximadamente US$ 28,5 milhões por ano em obrigações de dividendos.
MAVAN e o play da infraestrutura de staking
Parte dos proventos financiará a expansão da MAVAN, a plataforma de staking institucional da empresa lançada no início deste ano.
Fazer staking é como a rede de proof-of-stake do ethereum valida transações e protege a blockchain. Validadores bloqueiam ETH e ganham recompensas por isso. Para uma empresa que detém 5,42 milhões de ETH, mesmo rendimentos modestos de staking geram retornos substanciais em termos absolutos.
As posições da MAVAN permitem que a Bitmine gere rendimento sobre suas próprias reservas, além de oferecer serviços de staking a clientes institucionais.
Tom Lee, co-fundador da Bitmine e conhecido nos círculos financeiros como sócio gestor da Fundstrat e um entusiasta de criptomoedas de longa data, tem sido vocal sobre a proposta de valor de longo prazo do ethereum.
O que isso significa para os investidores
A oferta de ações preferenciais cria um novo tipo de instrumento no espaço público de ações criptográficas. Um rendimento anual de 9,50%, pago semanalmente, de uma empresa cujo principal ativo do balanço patrimonial é o Ethereum. A capacidade da Bitmine de pagar esse dividendo depende da saúde de seu tesouro em ETH e de sua receita de staking.
A perda não realizada de mais de US$ 9 bilhões já sinaliza o perigo. A Bitmine acumulou grande parte de seu ETH a preços mais altos, e a posição ainda não se recuperou.
O risco que os investidores devem observar mais de perto é a diferença entre a obrigação de dividendo de 9,50% e o rendimento que a Bitmine pode gerar realmente com suas posições em ETH por meio de staking e outros meios. Ações preferenciais perpétuas, por definição, não possuem data de vencimento, o que significa que essa obrigação não expira.

