O tradicional fundo de risco da Silicon Valley, Benchmark, concluiu uma nova rodada de captação de US$ 2 bilhões e estabeleceu pela primeira vez um fundo dedicado ao estágio de crescimento. Segundo o Wall Street Journal, citando fontes informadas, US$ 1,25 bilhão será destinado a investimentos em estágios avançados e US$ 750 milhões a projetos iniciais.
Isso significa que o Benchmark está quebrando seu próprio hábito de investimento de longa data. Nos últimos vinte e poucos anos, essa instituição sempre manteve o tamanho de cada fundo em cerca de 425 milhões de dólares, focando principalmente em startups iniciais, com ênfase em seleção rigorosa e altas participações acionárias.
Financiamento em IA aumenta o tamanho do fundo
Nos últimos anos, o valor de financiamento de startups de IA aumentou rapidamente, especialmente para empresas de modelos básicos, cujos rounds de investimento únicos frequentemente atingem centenas de milhões de dólares. A escala menor dos fundos existentes tornou difícil para a Benchmark participar desses projetos de alto investimento.
A report menciona que, anteriormente, o Benchmark não havia investido na Anthropic, na OpenAI nem em outros laboratórios de IA com altas necessidades de capital. O novo fundo de crescimento indica que ele agora está reservando espaço para financiamentos de maior valor e em rodadas mais avançadas.
Ao mesmo tempo, o novo fundo inicial de US$750 milhões permite que o Benchmark tenha maior flexibilidade operacional em um ambiente de valorização elevada. A instituição anteriormente se concentrava principalmente em rodadas Series A, mas nos últimos anos ampliou gradualmente seu escopo de investimento para incluir rodadas seed e Series B, entre outras fases mais precoces ou mais amplas.
Participou de projetos da Rodada B e Pré-IPO
Nos últimos meses, a Benchmark investiu em duas empresas de série B de IA: a Gumloop, uma plataforma de agentes de IA sem código, e a Monaco, uma plataforma de vendas e CRM nativa de IA. Isso indica que seu ritmo de investimento já não se limita mais à janela tradicional de estágios iniciais.
Em projetos mais tardios, o Benchmark também já fez sua estreia. Anteriormente, o TechCrunch relatou que a empresa participou de uma rodada de financiamento de US$ 1 bilhão da Cerebras, uma empresa de chips de IA, por meio de um veículo especial de propósito específico de US$ 225 milhões. O Benchmark liderou a rodada A da Cerebras já em 2016.
A Cerebras concluiu seu IPO no mês passado. De acordo com relatos, o Benchmark obteve um retorno contábil de aproximadamente US$ 3,25 bilhão ao preço de emissão. Esse ganho com a saída é considerado um dos principais fatores por trás do estabelecimento de seu fundo independente de crescimento.
Ajuste simultâneo da equipe de parceiros
Além das mudanças na estrutura do fundo, o Benchmark também ajustou sua equipe de parceiros nos últimos dois anos. Em 2024, Miles Grimshaw deixou a empresa e retornou à Thrive Capital. Posteriormente, Sarah Tavel passou a atuar como venture partner com menor envolvimento, e Victor Lazarte deixou a empresa para fundar seu próprio fundo de venture capital.
Para complementar a equipe, a Benchmark trouxe dois novos investidores, incluindo Everett Randle, da Kleiner Perkins, e Jack Altman, irmão do CEO da OpenAI, Sam Altman.
Do tamanho da captação ao estágio de investimento e à composição da equipe, esse fundo de venture capital, tradicionalmente conhecido por sua contenção, está se alinhando a um modelo mais adequado à era da IA. Segundo fontes informadas, o novo fundo de crescimento prevê realizar de 5 a 6 investimentos de grande porte, abrangendo empresas já investidas e novos projetos de startup.
