Em meados de maio, duas gigantes de IA revelaram suas cartas ao mesmo tempo — a OpenAI submeteu secretamente seu pedido de IPO, e a Anthropic apresentou sua primeira previsão financeira com lucro trimestral.
Os dados mostram que a OpenAI teve receita de US$ 5,7 bilhões no primeiro trimestre, mas perdeu US$ 1,22 para cada dólar ganho. A Anthropic teve receita de US$ 4,8 bilhões no mesmo período, cerca de US$ 1 bilhão a menos, mas a previsão de crescimento环比 no segundo trimestre disparou, com expectativa de US$ 10,9 bilhões e um lucro operacional de aproximadamente US$ 559 milhões.
Essa diferença transmite à opinião pública a sensação de que uma é uma estrela supersônica avaliada em trilhões de dólares, ainda pedindo paciência do mercado, enquanto a outra é a antiga perseguidora, que já alcançou silenciosamente o limiar do lucro.
01. 5,7 bilhões contra 4,8 bilhões
Uma fonte informada revelou ao The Information que a OpenAI gerou aproximadamente US$ 5,7 bilhões em receita no primeiro trimestre deste ano, um valor cerca de US$ 1 bilhão maior que os US$ 4,8 bilhões em receita da sua antiga concorrente Anthropic no mesmo período.
Vendo apenas esses dois números, a vantagem da OpenAI ainda parece bastante clara.

A fonte informada revelou que os três principais responsáveis pelo crescimento da OpenAI no primeiro trimestre foram o grande sucesso do agente de programação Codex, o aumento das vendas corporativas e os anúncios de teste do ChatGPT.
A explosão do Codex demonstra que a comunidade de desenvolvedores tem uma forte demanda por ferramentas que possam ser usadas diretamente para trabalhar, o que se sobrepõe ao público-cliente da Anthropic. Já a experimentação com negócios publicitários revela a ansiedade da OpenAI em buscar saídas para monetização dentro de seu vasto pool de usuários gratuitos.
No primeiro trimestre, o número médio semanal de usuários ativos da OpenAI foi de aproximadamente 905 milhões, atingindo um pico de 920 milhões em fevereiro.
Quando os usuários atingem um padrão de escala extremamente alto, o crescimento começa a estagnar. Apesar de possuir 55 milhões de assinantes pagos, um aumento em relação aos 47 milhões no final do ano passado, a taxa de conversão permanece baixa em comparação com seus mais de 900 milhões de usuários ativos semanais.
Além disso, o custo de inferência correspondente a essa parte é um enorme buraco negro para a OpenAI.
Por outro lado, a Anthropic teve receita de US$ 4,8 bilhões no primeiro trimestre, quase inteiramente proveniente de seu principal segmento: a venda de modelos de IA para empresas e desenvolvedores. Ela não possui um grande grupo de consumidores gratuitos, como o ChatGPT, que exige subsídios massivos. Essa diferença pode ser um elemento-chave para ela superar seus antigos concorrentes nos próximos passos.
02. A maior recuperação da história
Com base nos dados financeiros divulgados pela Anthropic aos investidores, conforme obtido pelo Wall Street Journal, a empresa espera alcançar receita de US$ 10,9 bilhões no segundo trimestre, mais do que dobrando em relação ao primeiro trimestre.
E seu crescimento de receita já superou o da Google e do Facebook antes de suas IPOs.

The Information aponta que, até abril de 2026, a receita anualizada da Anthropic superou US$ 30 bilhões, enquanto a receita anualizada da OpenAI foi de aproximadamente US$ 25 bilhões.
Na conferência de desenvolvedores de maio de 2026, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, brincou que o crescimento recente de receita deles já estava tão rápido que se tornou "difícil de lidar".

A Anthropic espera alcançar um lucro operacional de aproximadamente US$ 559 milhões no segundo trimestre, um marco significativo. No verão passado, a empresa compartilhou com investidores a previsão de que só alcançaria lucratividade anual a partir de 2028.
No entanto, o lucro operacional exclui despesas com incentivos baseados em ações e, considerando os altos custos computacionais futuros, a Anthropic pode não conseguir manter a lucratividade durante todo o exercício fiscal; mas ela demonstrou um ponto: empresas de modelos de IA, com foco em clientes corporativos, podem viabilizar um modelo de lucratividade a curto prazo.
Em contraste, a OpenAI, embora sua previsão para o segundo trimestre ainda não seja conhecida, apresentou aos investidores um dado que mostra: a taxa de lucro operacional ajustado do primeiro trimestre foi de -122%. Em outras palavras, para cada dólar de receita gerada, a empresa sofreu uma perda de US$ 1,22.
A OpenAI espera atingir fluxo de caixa positivo somente em 2029 ou 2030, e antes disso, precisa preencher continuamente uma grande lacuna de financiamento.
Analistas do HSBC estimam que a OpenAI enfrenta uma lacuna de financiamento de US$ 207 bilhões em relação aos seus planos de crescimento. O CEO da OpenAI, Sam Altman, sugeriu em uma reunião com todos os funcionários da empresa que, mesmo após apresentar os documentos para IPO, o lançamento efetivo pode ser adiado, pois apresentar a solicitação "não é a mesma coisa que estar pronto para listar".
A pressão financeira por trás disso é evidente.
03. O mesmo AI, dois destinos
Por que, com a mesma onda de IA, as condições financeiras de duas empresas apresentam tal divergência acentuada?
A resposta está escondida nas diferentes estruturas de clientes.
Segundo a análise da Forbes, cerca de 85% da receita da Anthropic provém de clientes corporativos e desenvolvedores. Mais de 500 empresas já gastam mais de US$ 1 milhão por ano na plataforma Claude, e 8 das 10 empresas da Fortune estão entre seus clientes.
Os clientes corporativos demonstram intenção clara de pagamento, padrões de consulta mais previsíveis, custos de serviço mais baixos e contratos mais aderentes. Trata-se de um modelo de negócio saudável e sustentável.
Na primeira trimestre, a Anthropic gastou 71 centavos de dólar em capacidade de cálculo para cada dólar de receita gerada, e espera-se que esse número caia para 56 centavos no segundo trimestre, com melhoria imediata na eficiência.
Por outro lado, a OpenAI tem cerca de 85% de sua receita relacionada às assinaturas consumidoras do ChatGPT. Apesar de ter 55 milhões de usuários assinantes pagantes, há mais de 900 milhões de usuários ativos semanais que não geram receita correspondente, resultando em um déficit estrutural.
A OpenAI não está alheia a isso.
Sob a liderança de executivos como Fidji Simo, CEO da aplicação, a empresa já começou a cortar projetos custosos, como o aplicativo de geração de vídeo Sora, tentando redirecionar o foco para negócios e clientes comerciais que gerem receita direta. No entanto, mudar o rumo de um modelo de negócios centrado no consumidor gratuito não é algo que se consiga fazer em um dia.
Claro, comparar diretamente os números de receita das duas empresas requer considerar uma diferença contábil importante.
A Informação explica detalhadamente isso: a Anthropic reconhece como receita integral todas as vendas tecnológicas realizadas por meio de parceiros de nuvem, como Amazon e Google. Já a OpenAI, devido à sua relação especial e de longo prazo com a Microsoft, na qual a Microsoft possui direitos exclusivos de uso de sua propriedade intelectual, reconhece apenas 20% da receita proveniente das vendas de modelos pela Microsoft Azure como sua própria receita.
No entanto, é importante notar que os critérios contábeis das duas empresas apresentam ligeiras diferenças e ambas apresentam uma certa “inflação” na receita: a Anthropic inclui no balanço toda a receita proveniente da revenda de seus modelos por fornecedores de nuvem, como Amazon e Google, sem deduzir as partes repassadas; já a OpenAI, por precisar repassar 20% de sua receita à Microsoft até 2030 (que pode chegar a US$ 6 bilhões este ano), não inclui em suas divulgações públicas nenhuma receita gerada por parceiros de nuvem.
No entanto, mesmo que a OpenAI adote a abordagem da Anthropic para aumentar sua receita anual em dezenas de bilhões de dólares, não conseguirá compensar a lacuna de centenas de bilhões de dólares entre eles.
04. Por trás da corrida do IPO
No caminho para o IPO, todos os segredos financeiros serão expostos à luz do dia.
OpenAI, Anthropic e a SpaceX de Elon Musk estão competindo para fazer IPO, com a avaliação de todas as três empresas podendo ultrapassar um trilhão de dólares.
Atualmente, a OpenAI já arrecadou US$ 122 bilhões de financiamento de fornecedores como a Amazon e a NVIDIA e está buscando listar-se já em setembro de 2026. Já a Anthropic está realizando uma rodada de financiamento que pode valorizá-la acima da OpenAI e considera uma possível listagem já em outubro. Altman expressou particularmente, em particular, que deseja listar primeiro.
A Anthropic agora tem em mãos um trimestre com dados comprovadamente lucrativos.
Mesmo que venha a sofrer prejuízos no futuro devido a investimentos astronômicos em infraestrutura de computação, como pagar US$ 1,25 bilhão por mês à SpaceX para alugar capacidade de data centers e novos contratos maciços de poder de processamento com Broadcom e Google, ela já provou ao mercado que seu modelo de negócios é viável. Sua história é a de uma empresa de software corporativo que pode ser comparada à Salesforce ou à ServiceNow.
Já a OpenAI apresentou aos investidores do mercado aberto uma história que exige uma crença mais forte. Ela precisa convencer o mercado de que agentes de IA, geração de imagens e um futuro vasto negócio de publicidade acabarão por transformar seu imenso tráfego de consumidores em lucro.
No plano de Altman, o negócio de publicidade do ChatGPT pode gerar cerca de US$ 102 bilhões em receita até 2030.
Mas isso ainda leva tempo, e o tempo é exatamente o recurso mais escasso que a OpenAI tem ao trocar prejuízos por crescimento.
A OpenAI acabou de lançar mais de dois gigawatts de capacidade de computação, superando o total de todo o cluster Colossus da SpaceX, e tudo isso exige dinheiro.
Então, para os investidores, quando os arquivos S-1 forem tornados públicos, devemos acreditar em uma empresa que já encontrou um modelo de lucro, ou em uma gigante pedindo ao mercado mais alguns anos e centenas de bilhões de dólares para explorar possibilidades de lucro? A resposta determinará o destino das duas empresas.
BlockBeats
