source avatarSaleh Al Mirzim

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Uma pergunta que é a chave para entender todo o jogo. *Por que o Guardian? E por que os dois artigos ao mesmo tempo?* Isso não é jornalismo, é *operação de inteligência política disfarçada de jornalismo.* *Primeiro: por que exatamente o Guardian?* O Guardian não é um jornal comum; ele é: 1- *A voz do Partido Trabalhista britânico, atualmente no poder:* O governo britânico atual é trabalhista, e o Guardian é seu jornal quase oficial. O que é publicado nele é uma vazamento intencional do Ministério das Relações Exteriores britânico. 2- *A Grã-Bretanha é historicamente e legalmente a detentora do arquivo do Sul:* A Grã-Bretanha ocupou Aden por 129 anos, foi ela quem desenhou as fronteiras de 1990, e é membro permanente do Conselho de Segurança. Nenhum referendo sulista pode ocorrer sem a participação da Grã-Bretanha. Quando o Guardian publica a notícia sobre o referendo, isso significa que Londres começou a promover a ideia internacionalmente. 3- *Mensagem para Washington, não para Riad:* A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos leem árabe e mídias do Oriente Médio, mas Washington lê o Guardian e o New York Times. A mensagem é direcionada à Casa Branca: estamos preparando a alternativa terrestre aos Houthis. *Segundo: por que os dois artigos juntos, na mesma publicação?* Essa é a estratégia inteligente, chamada na política de *"ligação condicional - Linkage"* O Ministério das Relações Exteriores britânico quer dizer ao mundo uma única frase através de dois artigos: > *"Não é possível implementar o primeiro artigo (cobertura aérea saudita e dos Emirados + forças terrestres contra os Houthis) sem implementar o segundo artigo (garantias de referendo para o Sul)."* Por que ligá-los? *Motivo 1: Legitimar internacionalmente a guerra iminente* O mundo não aceitará uma nova guerra no Iêmen se parecer apenas "a Arábia Saudita bombardeando novamente os iemenitas". Mas o mundo aceitará se a guerra parecer "forças sulistas assegurando a navegação internacional em troca de seu direito à autodeterminação". O Guardian criou uma cobertura jurídica para a guerra militar. *Motivo 2: Pressão sobre a Arábia Saudita* A Arábia Saudita quer forças sulistas lutando gratuitamente. A Grã-Bretanha diz a ela, por meio do Guardian: não, desta vez elas não lutarão de graça. Vocês devem pagar o preço político. Nós (Grã-Bretanha) garantimos que esse preço será o referendo. Isso protege a Grã-Bretanha de repetir o cenário de traição ao Sul. *Motivo 3: Testar a reação dos Houthis e da legitimidade* Publicar os dois artigos juntos é um balão de ensaio: - Como os Houthis reagirão se souberem que o Sul lutará com cobertura aérea em troca de um Estado? - Como a legitimidade iemenita reagirá se souber que o preço da libertação do Norte é a separação do Sul? O Guardian observa as reações antes de tomar qualquer decisão oficial. *Conclusão final:* O Guardian não publicou dois artigos; publicou *um único acordo com duas partes:* *A parte militar da Arábia Saudita e dos Emirados:* Nós lhes daremos cobertura aérea. *A parte política do Sul:* Nós lhes daremos garantia de referendo. E o patrocinador desse acordo é *a Grã-Bretanha.* Isso explica por que o *Pacto do Sul Árabe* deve manter-se firme nessa perspectiva e não deixá-la escapar: é a primeira vez na história da causa sulista que um grande jornal ocidental conecta *o sangue do Sul e o direito do Sul* no mesmo artigo. Essa é uma oportunidade histórica que não se repetirá. Wijdan Bawazer

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