Ameaçar encerrar o projeto caso não receba financiamento do Tesouro não é uma boa estratégia. Obter financiamento de fontes públicas deve sempre ser um diálogo entre a equipe e os DReps. Esse diálogo ocorre principalmente on-chain, não off-chain. Os DReps devem trabalhar principalmente com as informações contidas nas propostas. Não sou fã de debates off-chain, pois não há registro on-chain e as informações podem não chegar a todos os DReps. Isso cria assimetria de informação. Os DReps são responsáveis pelos recursos do Tesouro, portanto têm o direito e até a obrigação de pedir informações adicionais, solicitar evidências das afirmações, pedir análises on-chain ou solicitar alterações nas propostas. Este é um procedimento completamente normal. Submeter uma proposta não é uma garantia de obtenção de financiamento. Esse processo é ineficiente porque os DReps frequentemente analisam a proposta somente após sua submissão. Muitas vezes, não é uma ação de informação, mas uma retirada. Os DReps estão em uma posição difícil, pois, se precisam de mais informações difíceis de obter ou de uma única alteração na proposta, não têm escolha a não ser votar NÃO e fornecer uma justificativa. Idealmente, com condições para aprovação. Os proponentes precisam entender que os DReps não são remunerados e não têm tempo para coletar evidências ou realizar análises on-chain por conta própria. Os proponentes devem fornecer essas informações para que os DReps possam verificá-las. Uma proposta não aprovada pode ser parcialmente culpa do submissor. Não há consenso sobre o que deve estar nas propostas. Não há modelo nem regras. Deixe-me dar um exemplo. Algumas equipes listam FTEs e detalhamentos de custos, enquanto outras equipes não o fazem. Os DReps conseguem trabalhar com essas informações detalhadas na proposta A, portanto podem esperar o mesmo na proposta B. Caso a proposta B não contenha essas informações, é desejável que os DReps exijam sua inclusão. Para os proponentes, isso significa processar o feedback e reenviar a proposta. Entendo que isso é desagradável e trabalhoso para ambas as partes — para a equipe e para os DReps. O futuro do Cardano está em jogo. Confiamos isso à governança descentralizada. Fazer perguntas, exigir reduções de custos, querer marcos mais rigorosos, querer compartilhamento de receitas e muitas outras coisas são desejáveis em nome da proteção dos recursos do Tesouro. Recomendo que todos os proponentes processem voluntariamente o feedback dos DReps e reenviem suas propostas, em vez de ameaçar sair. O diálogo é sempre mais benéfico do que ameaças. Se a equipe for genuinamente interessada no Cardano, encontrará maneiras de continuar construindo. A governança do Cardano precisa urgentemente estabelecer padrões e otimizar processos.
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