O Tesouro dos EUA fez silenciosamente algo significativo em 9 de setembro de 2026. Confirmou um plano para recomprar até US$ 6 bilhões em títulos nominais com cupom de 10 a 20 anos no dia seguinte, triplicando o limite anterior de US$ 2 bilhões por operação do programa.
A história de fundo começa em agosto. Em 19 de agosto, o Tesouro anunciou que, no mínimo, dobraria o tamanho máximo de suas operações de recompra de suporte à liquidez para títulos nominais com cupons de prazo mais longo, elevando o piso para US$ 4 bilhões por operação a partir de 9 de setembro e até 4 de novembro. Quando a primeira operação real sob esse novo mandato ocorreu em US$ 6 bilhões, ela ficou acima do piso, mas, aparentemente, abaixo do que o mercado já havia precificado como o novo normal.
O que o Tesouro está fazendo e por que isso importa
O Tesouro entra no mercado secundário para comprar títulos mais antigos e menos líquidos, conhecidos como Treasuries off-the-run, injetando dinheiro no sistema e reduzindo os spreads em títulos que de outra forma permaneceriam no inventário dos dealers, acumulando poeira.
O programa foi retomado em maio de 2024 após longa ausência, inicialmente apresentado como uma ferramenta para suavizar a liquidez, e não para gerenciar taxas de juros. No início de 2025, o Tesouro já havia dobrado a frequência das operações. Em meados de agosto de 2026, a capacidade total trimestral de recompra havia sido aumentada para US$ 38 bilhões.
A dívida pública dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões, e os rendimentos de longo prazo no momento do anúncio estavam negociando em níveis não vistos desde 2007.
A primeira reação morna do mercado
Quando o anúncio de 19 de agosto foi divulgado, os rendimentos caíram. Em seguida, chegou 9 de setembro, e o Tesouro especificou a primeira operação: até US$ 6 bilhões em títulos de 10 a 20 anos. A reação se invertiu. O rendimento de 10 anos subiu para cerca de 4,85% após a publicação dos detalhes, pois os traders aparentemente decidiram que US$ 6 bilhões, embora tecnicamente superior a qualquer operação anterior, não foi o impacto significativo que tinham antecipado. As expectativas haviam se deslocado para US$ 7 bilhões ou mais, um valor que realmente surpreenderia para cima.
Essa dinâmica é importante porque molda o que o Tesouro precisará fazer nas operações subsequentes entre agora e 4 de novembro para manter os investidores engajados. Se o mercado já precificou US$ 7 bilhões como a nova base, uma série de operações de US$ 6 bilhões pode parecer uma retirada lenta, mesmo que, por padrões históricos, sejam enormes.
O que observar entre agora e novembro
O programa se estende até 4 de novembro, dando ao Tesouro aproximadamente dois meses para demonstrar se a recompra expandida é realmente um estabilizador de liquidez ou principalmente um sinal de confiança.
O Secretário Scott Bessent caracterizou essas ações como favoráveis à dinâmica ordenada dos mercados, e não como uma tentativa de determinar preços de equilíbrio, com mais detalhes do programa esperados no próximo resgate trimestral em 4 de novembro de 2026.
Para investidores em títulos, a questão de curto prazo é se 4,85% no título de 10 anos representa um teto ou um ponto de passagem. O Tesouro é simultaneamente o comprador sustentando os preços e o vendedor gerando a oferta que pressiona esses preços.
