O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, alertou sobre a desvalorização do iene japonês, avisando que a fraqueza da moeda impulsionou a inflação interna e pode desencadear um efeito dominó de desvalorização entre as moedas asiáticas.
O iene caiu aos seus níveis mais baixos desde 1986, levando os Estados Unidos e o Japão a coordenar intervenção direta nos mercados de câmbio.
A intervenção e o que há por trás dela
O esforço coordenado ocorreu entre 1 e 3 de agosto de 2026, com ambos os países comprando ienes para sustentar seu valor. Um fotógrafo da Reuters capturou uma anotação durante uma reunião do gabinete mostrando o plano de Bessent em termos diretos: “Comprar Iene Japonês (JPY) US$ 5-10 bi.”
Bessent reconheceu publicamente a “subvaloração significativa” do iene em 1º de agosto, apoiando os esforços do Japão para restaurar algum equilíbrio em sua moeda abalada. O ex-gerente de fundo de hedge, confirmado como Secretário do Tesouro em janeiro de 2025 sob o presidente Trump, conhece bem o comércio do iene. Relata-se que ele lucrou com posições relacionadas ao iene durante seu tempo na finança.
O iene fraco tornou as importações significativamente mais caras para consumidores e empresas japoneses, alimentando pressões inflacionárias que o Banco do Japão tem lutado para conter.
Por que os mercados de criptomoedas devem se importar
Quando o iene se enfraquece, cria pressão sobre outras moedas asiáticas para se desvalorizarem competitivamente. O aviso de Bessent sobre “a desvalorização mais ampla das moedas asiáticas” está essencialmente descrevendo os estágios iniciais de um ciclo de desvalorização competitiva.
O carry trade do iene, no qual investidores tomam emprestado ienes baratos para investir em ativos com rendimentos mais altos em outros lugares, tem sido um importante impulsionador da liquidez global. Quando o iene se valoriza repentinamente devido à intervenção, esses carry trades se desfazem rapidamente. O último grande desfazimento de carry trade em agosto de 2024 enviou ondas de choque pelos mercados de ações e de criptomoedas. Uma intervenção de US$ 5 a 10 bilhões cria risco real de outro desfazimento desordenado.
Riscos de contágio regional
A preocupação de Bessent com a depreciação em cascata não é teórica. Quando uma moeda asiática importante cai, os concorrentes comerciais enfrentam uma escolha: permitir que suas próprias moedas se desvalorizem para permanecer competitivas, ou manter o valor e assistir ao setor de exportações sofrer.
O risco de desfazimento do carry trade já torna isso digno de monitoramento atento. Quando trilhões de dólares em posições alavancadas dependem da estabilidade do iene, um secretário do Tesouro sinalizando publicamente riscos de desvalorização regional não é apenas um comentário. É um sinal de alerta.
