A dívida nacional dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez em 18 de agosto de 2026, atingindo US$ 40,047 trilhões, segundo dados do Departamento do Tesouro. Esse número aumentou em aproximadamente US$ 60 bilhões em um único dia.
Rebecca Patterson, pesquisadora sênior do Council on Foreign Relations e ex-estrategista-chefe de investimentos da Bridgewater Associates, apareceu no programa “Bloomberg Money” da Bloomberg em 21 de agosto para argumentar que o padrão de Washington de ignorar sua situação fiscal já não é um problema de longo prazo. É um problema atual.
Como chegamos aqui
O total mais que dobrou desde o início de 2017, quando estava próximo a US$ 19,95 trilhões, e aumentou cerca de um terço em menos de cinco anos.
Os fatores são familiares: déficits federais persistentes, gastos com programas sociais e defesa, custos de juros que se acumulam enquanto as taxas permanecem elevadas e a ressaca fiscal residual das medidas de alívio da era da pandemia.
A preocupação de Patterson não é apenas o número principal. É a trajetória. Sem mudanças políticas substanciais, ela alertou, as razões dívida/PIB poderão atingir 118% ou mais na próxima década.
Por que o aviso de Patterson tem peso
Patterson passou anos como estrategista-chefe de investimentos na Bridgewater Associates, um dos maiores fundos hedge do mundo. Sua experiência também inclui mais de 15 anos na JPMorgan e passagens como CIO na Bessemer Trust.
A ex-secretária do Tesouro Janet Yellen já expressou preocupações sobre a trajetória da política fiscal dos EUA, alertando para efeitos que poderiam influenciar as decisões de política monetária.
Patterson e outros destacaram a dinâmica da dominância fiscal explicitamente no período de 2025-2026, à medida que as taxas de juros elevadas começaram a inflacionar visivelmente os custos de serviço da dívida governamental.
O que isso significa para os mercados e além
Para os mercados do tesouro, a marca de US$ 40 trilhões ocorre durante um período de incerteza já aumentada sobre a demanda por dívida do governo dos EUA.
Os pagamentos de juros sobre a dívida nacional já se tornaram um dos maiores itens do orçamento federal, competindo com defesa e programas de benefícios pela prioridade de gastos. Uma relação dívida/PIB próxima a 118% tornaria essa competição significativamente mais aguda.
