O governo dos EUA está apostando pesado em uma mina no centro do Brasil para resolver uma de suas vulnerabilidades estratégicas mais persistentes: dependência quase total da China pelos minerais de terras raras que alimentam tudo, desde caças F-35 até veículos elétricos.
A mina Serra Verde, no estado de Goiás, Brasil, está no centro de um esforço de bilhões de dólares que inclui a aquisição de US$ 2,8 bilhões pela USA Rare Earth, um empréstimo de US$ 565 milhões da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) e um compromisso combinado de US$ 1,55 bilhão do Departamento de Guerra e da Agência de Logística de Defesa.
O que está realmente acontecendo no terreno
A Serra Verde entrou em produção comercial no início de 2024, tornando-se o único produtor em escala comercial do Brasil de todos os quatro raros elementos magnéticos-chave: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Eles são os componentes básicos dos ímãs permanentes utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
A mina tem como meta uma produção de aproximadamente 6.400 toneladas métricas por ano de equivalente total de óxidos de terras raras até o final de 2027.
A USA Rare Earth anunciou sua aquisição de US$ 2,8 bilhões da Serra Verde em abril de 2026, com o acordo aguardando aprovação regulatória. O pacote de empréstimo de US$ 565 milhões do DFC foi projetado para apoiar tanto as operações atuais quanto a expansão futura. Enquanto isso, a estrutura de financiamento de US$ 1,55 bilhão do Departamento de Guerra e seus parceiros inclui US$ 750 milhões em investimento direto do governo e um acordo de compra futura de US$ 300 milhões, essencialmente Washington antecipando a compra da produção da mina para garantir a demanda.
Por que o Brasil, e por que agora
O Brasil possui aproximadamente 21 milhões de toneladas métricas de reservas de terras raras, o segundo maior depósito do mundo, atrás da China. A China atualmente controla cerca de 60-70% da mineração de terras raras e aproximadamente 90% do processamento a jusante.
Os contratos de fornecimento de longo prazo entre Serra Verde e compradores chineses estão programados para terminar em 2026, abrindo caminho para investidores e governos ocidentais firmarem acordos de fornecimento. O governo do Brasil também sinalizou interesse em desenvolver capacidades de processamento domésticas como condição para investimento estrangeiro.
A China periodicamente restringiu exportações de terras raras como ferramenta diplomática, mais notavelmente durante disputas com o Japão em 2010 e mais recentemente amid escalating trade conflicts.
