Dois dos maiores provedores de pensões do Reino Unido estão criando um fundo de £1 bilhão para apoiar empresas britânicas de ciência e tecnologia. A iniciativa, chamada Scale-Up Fund, representa um esforço deliberado para manter a inovação britânica financiada por capital britânico, em vez de assistir startups promissoras deixarem o país em busca de investimentos de estágio de crescimento na Vale do Silício.
Nest e Railpen estão liderando o esforço com o apoio do British Business Bank, a instituição apoiada pelo governo criada exatamente para preencher lacunas como esta. O fundo visa empresas que já comprovaram seus conceitos, mas precisam de capital significativo para comercializar tecnologias, escalar operações e contratar.
O efeito Mansion House
Isso não está acontecendo no vácuo. O Scale-Up Fund é um descendente direto do Accord da Mansion House, assinado em maio de 2025 por 17 provedores de pensões que, coletivamente, prometeram redirecionar mais de seus portfólios para empresas do Reino Unido.
Esse acordo foi, na prática, um aperto de mão entre a indústria de pensões e o governo. Os provedores se comprometeram a aumentar as alocações em ações não listadas, startups e infraestrutura. Os valores envolvidos são impressionantes: um compromisso de £50 bilhões de grandes fundos em investimentos em capital de risco e infraestrutura.
Em outubro de 2025, o governo intensificou o esforço, solicitando especificamente que recursos de pensões sejam direcionados para futuros “sci-tech unicórnios”. O Nest, o maior plano de pensão empresarial do Reino Unido em termos de membros, declarou separadamente sua ambição de investir até £1 bilhão em capital de risco até 2030. O Scale-Up Fund parece ser um importante veículo para cumprir essa promessa.
O cenário competitivo para capital
O Reino Unido tem perdido terreno na competição global por investimentos em tecnologia. Os fundos de pensão britânicos historicamente alocaram muito menos em capital de risco doméstico em comparação com seus pares nos EUA, Canadá e Austrália.
Essa dinâmica criou um padrão bem documentado. Um pesquisador britânico desenvolve uma tecnologia inovadora em uma universidade como Oxford ou Cambridge. O capital inicial vem de anjos britânicos ou pequenos fundos de risco. Depois, quando a empresa precisa de £50 milhões ou £100 milhões para realmente escalar, o capital de risco americano entra em ação, a empresa transfere sua sede para Delaware e a criação de valor econômico ocorre no exterior.
O Fundo de Expansão foi projetado para quebrar esse ciclo exatamente na fase de crescimento em que o capital britânico tem estado ausente. Ao reunir recursos de múltiplos provedores de pensões e aproveitar a expertise do British Business Bank na avaliação de empresas nacionais, o fundo cria um único veículo de investimento suficientemente grande para realizar aportes significativos na fase de crescimento.
Os riscos são reais, porém. Fundos de pensão existem para pagar aposentados, não para servir como veículos de política industrial nacional. A tensão entre o dever fiduciário e a alocação patriótica de capital é genuína. Se os investimentos do fundo subperformarem portfólios tradicionais de títulos e ações, a reação negativa pode atrasar em anos a adoção institucional de ativos alternativos.
Os investidores devem observar atentamente dois aspectos. Primeiro, a estrutura de governança do fundo, especificamente como as decisões de investimento são tomadas e quais limiares de retorno acionam a escalada. Segundo, se outros provedores de pensão além do Nest e Railpen comprometerem capital. A diferença entre um fundo de £1 bilhão apoiado por dois provedores e um fundo de £1 bilhão apoiado por dez é enorme em termos do que sinaliza sobre a disposição institucional para esse tipo de risco.
