A FIFA quer transformar a Copa do Mundo em um ativo investível. A UEFA acabou de dizer a ela, da maneira mais organizada possível, para reconsiderar.
As 55 associações membros da UEFA reuniram-se em uma reunião virtual de emergência em 30 de julho de 2026, dois dias após a FIFA anunciar planos para criar uma nova subsidiária comercial avaliada em US$ 20 bilhões. A entidade gerenciaria a Copa do Mundo e outros eventos de destaque, com a FIFA oferecendo até 20% de participações acionárias a investidores externos. A resposta da UEFA foi rápida, unificada e tão diplomática quanto um cartão vermelho no acréscimo.
O que a FIFA propôs e por que isso desencadeou uma revolta
Em 28 de julho, a FIFA revelou sua visão para uma entidade comercial independente que, essencialmente, transformaria a joia da coroa do futebol internacional, a Copa do Mundo, em um veículo atraente para o capital privado.
A avaliação divulgada pela FIFA foi de US$ 20 bilhões. Para tornar o acordo mais atrativo para suas 211 associações membros, a FIFA teria oferecido um pagamento de US$ 20 milhões por associação como parte de um pacote mais amplo de US$ 40 milhões. A condição: os membros precisariam concordar até 19 de setembro de 2026.
O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, esteve entre os críticos mais veementes, apresentando a proposta como uma ameaça fundamental à integridade do futebol. A posição da UEFA resumia-se a uma frase marcante que se tornou um grito de guerra em todo o futebol europeu: o esporte “não é da FIFA para vender”.
A organização acusou a FIFA de “atravessar uma linha”, argumentando que as estruturas de governança do futebol não podem ser tratadas como ativos negociáveis.
A oposição é mais ampla do que apenas a Europa
Pelo menos 143 das 211 associações membros da FIFA estão unidas na oposição ao plano, segundo relatos. Isso representa aproximadamente 68% de toda a filiação da FIFA. A dissidência abrange várias confederações, incluindo a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a CONCACAF, que governa o futebol na América do Norte, América Central e Caribe.
Esse número é importante porque as decisões de governança da FIFA normalmente exigem maioria simples e, às vezes, supermaioria, dependendo da natureza da votação. Com 143 membros opostos, a FIFA enfrenta um problema aritmético que nenhuma quantia de interesse dos investidores pode resolver.
A reação também atraiu a atenção de figuras políticas. O político britânico Andy Burnham se manifestou publicamente contra a proposta, sinalizando que isso não é apenas uma disputa interna de governança futebolística.
As discussões entre membros opostos supostamente incluíram ações potenciais que variam desde boicotes formais até desafios legais.
Por que isso importa além da apresentação
A oferta de US$ 20 milhões por associação pode parecer generosa isoladamente, mas, quando comparada a uma avaliação de US$ 20 bilhões, representa uma fatia relativamente modesta do bolo, e a maioria dos principais corretores do futebol parece ter feito as contas.
