O Secretário do Tesouro Scott Bessent está defendendo a rara intervenção de Washington no iene japonês, argumentando que a transação não criou um empréstimo ao Japão e, portanto, não apresenta risco de reembolso.
A disputa segue uma carta de 13 de agosto do senador Elizabeth Warren questionando como o Tesouro utilizou seu Fundo de Estabilização Cambial, ou ESF, durante a operação coordenada EUA-Japão no mês passado. Warren argumentou que os contribuintes poderiam enfrentar perdas se o Japão não pagar o Tesouro. Bessent rejeitou essa premissa, dizendo que o Tesouro simplesmente trocou ativos em moeda estrangeira já detidos pelo ESF por ienes.
“Nenhuma nova autorização orçamentária do Congresso foi envolvida”, escreveu Bessent, acrescentando que o Japão não deve nada ao Tesouro, pois nenhum crédito foi concedido. O ESF pode manter euros e ienes juntamente com outros ativos de reserva, segundo Treasury data.
A intervenção do Japão atingiu quase US$ 97 bilhões
A ação dos EUA fez parte de um esforço muito maior do Japão para estabilizar a moeda após o iene cair além de 163 por dólar, próximo ao seu nível mais fraco em cerca de quatro décadas.
O Ministério das Finanças do Japão divulgou em 28 de agosto que a intervenção no câmbio entre 30 de julho e 26 de agosto totalizou ¥15,3993 trilhões, ou cerca de $97 bilhões nas taxas de câmbio recentes.
A cobertura anterior da Coinpaper sobre a intervenção conjunta yen observou que Washington e Tóquio agiram juntos pela primeira vez desde 1998. Uma operação anterior estimada em ¥8,45 trilhões, equivalente a cerca de US$52,8 bilhões, já havia destacado a escala das tentativas do Japão de impedir a desvalorização da moeda.
Por que Washington se importa com o iene
O argumento mais amplo de Bessent é que a instabilidade do iene não é apenas um problema japonês. O Japão é um dos maiores detentores estrangeiros de títulos do Tesouro dos EUA, então uma movimentação desordenada da moeda poderia forçar os investidores a encerrar posições e potencialmente elevar os custos de empréstimo americanos.
Esse risco também se estende aos mercados globais por meio do yen carry trade, no qual investidores tomam emprestado em iene a baixo custo para financiar posições em ações, títulos e outros ativos. Uma valorização súbita do iene pode forçar essas operações a serem desfeitas rapidamente, amplificando a volatilidade.
O impacto imediato no mercado desapareceu. O USD/JPY fechou próximo a 160,07 em 28 de ago., após a intervenção ter inicialmente empurrado o par significativamente para baixo.
Isso deixa a questão central da política em aberto: a intervenção pode desacelerar uma movimentação desordenada da moeda, mas uma força duradoura do iene pode exigir, em última análise, mudanças nos diferenciais de taxas de juros, nas expectativas de inflação e na política do Banco do Japão, em vez de compras repetidas de câmbio estrangeiro.
