A reestruturação mais recente das tarifas da administração Trump traçou uma linha clara entre amigos e todos os demais. A partir de 22 de julho de 2026, uma tarifa da Seção 301 de 25% atingirá uma ampla gama de importações brasileiras, consolidando a posição do Brasil como um dos parceiros comerciais menos favorecidos da América, exceto pela China. Enquanto isso, a União Europeia negociou taxas tarifárias efetivas de apenas 10% a 15%.
A grande divergência tarifária
O tratamento relativamente favorável da UE decorre de concessões negociadas que trouxeram os bens europeus bem abaixo das alíquotas aplicadas a outros países. A situação tarifária do Brasil piorou de uma base de 10% para alíquotas tão altas quanto 50% em certos bens anunciadas em julho de 2025. A nova tarifa uniforme de 25% representa o mais recente golpe em uma relação comercial cada vez mais hostil.
Os aumentos de tarifas direcionados ao Brasil estão parcialmente ligados a motivações políticas, especificamente aos processos legais contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
O que está em jogo para commodities e cadeias de suprimentos
O Brasil é o maior exportador mundial de café e um dos principais fornecedores de carne bovina para os mercados globais. Uma tarifa de 25% sobre essas e outras exportações brasileiras afeta as cadeias de suprimento, atinge os importadores americanos e, finalmente, se reflete nos preços aos consumidores. Os produtores europeus agora desfrutam de uma vantagem estrutural, com taxas de tarifa aproximadamente 10 a 15 pontos percentuais mais baixas do que as enfrentadas pelos concorrentes brasileiros.
A Suprema Corte, no início deste ano, anulou algumas medidas tarifárias anteriores, forçando a administração a reestruturar sua abordagem. As novas tarifas da Seção 301 sobre o Brasil representam a estratégia recalibrada.
Os mercados de criptomoedas estão aprendendo a conviver com o caos tarifário
Rodadas anteriores de anúncios de tarifas em 2026 desencadearam quedas notáveis em principais ativos digitais, com Bitcoin e Ether ambos sofrendo baixas. Centenas de milhões em liquidações foram relatadas no mercado de derivados durante esses episódios. No entanto, a reação do Bitcoin a este mais recente anúncio de tarifas no Brasil foi contida.
A correlação entre notícias sobre tarifas e a instabilidade do mercado de criptomoedas, tão clara no início de 2026, parece estar se enfraquecendo, pelo menos para anúncios que não envolvam diretamente a China ou a UE. Uma tarifa focada no Brasil não tem o mesmo peso sistêmico para os mercados de ativos digitais quanto medidas direcionadas aos dois maiores blocos econômicos do mundo.


