O secretário do Tesouro, Scott Bessent, está analisando a própria conta corrente do governo e enxergando uma oportunidade. A Conta Geral do Tesouro, com aproximadamente US$ 950 bilhões, pode se tornar um cofre para um programa expandido de recompras de títulos dos EUA, voltado para os segmentos pouco negociados do mercado de dívida de longo prazo.
Em 19 de agosto, o Tesouro anunciou que dobraria o tamanho de suas operações de recompra de suporte à liquidez, aumentando o limite de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por transação, com operações ocorrendo de 9 de setembro a 4 de novembro.
O que Bessent está realmente fazendo
O foco está em títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos. São esses títulos que têm causado dificuldades aos mercados recentemente, com a rentabilidade de 30 anos recentemente oscilando em torno de 5,23% a 5,25%.
Bessent indicou em 20 de agosto que operações individuais de recompra poderiam até exceder o piso de US$ 4 bilhões dependendo das condições de mercado.
O saldo de $950 bilhões da TGA é o motor silencioso que torna isso possível. Sob a administração Biden, a faixa-alvo para essa conta era de $550 bilhões a $600 bilhões. O saldo atual supera esse marco em aproximadamente $350 bilhões a $400 bilhões, dando a Bessent uma margem para financiar compras de títulos mais antigos e com maior rendimento sem precisar imediatamente emitir novos títulos de curto prazo para levantar caixa.
O cenário de US$ 40 trilhões
A dívida pública dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões em meados de agosto de 2026, uma marca que parece abstrata até você considerar os pagamentos de juros associados a ela.
Ao comprar títulos mais antigos negociados com descontos, muitas vezes com taxas de cupom mais altas que refletem a época em que foram emitidos, o Tesouro pode resgatar dívidas caras ao mesmo tempo em que melhora as condições de liquidez.
Bessent tem se cuidado em apresentar as recompras como suporte de liquidez, e não como gestão de rendimento. Em vez disso, o Tesouro está posicionando essas operações como uma limpeza da microestrutura do mercado, facilitando para os investidores a compra e venda de títulos públicos sem grandes deslocações de preço.
Por que os investidores em títulos estão prestando atenção
O título do Tesouro a 30 anos tem sido volátil por razões que vão muito além de qualquer decisão política única. O aumento dos déficits fiscais, o forte endividamento corporativo e a incerteza persistente sobre a trajetória das taxas de juros contribuíram todos para as flutuações nos rendimentos de longo prazo.
A liquidez nos títulos do Tesouro fora de circulação, títulos que não são os mais recentemente emitidos em uma determinada vencimento, pode ser surpreendentemente baixa. Quando um grande detentor precisa vender e não há comprador pronto, os preços podem saltar de maneiras que parecem desconectadas dos fundamentos.
Há uma armadilha, porém. Usar a TGA para financiar recompras sem emitir nova dívida é essencialmente reduzir um buffer. Se despesas inesperadas surgirem, ou se as receitas tributárias forem menores do que o previsto, esse colchão de US$ 950 bilhões pode diminuir mais rápido do que o esperado, potencialmente forçando o Tesouro a retornar ao mercado de emissões novas em momentos inconvenientes.
