O ouro teve outra sessão difícil. Os preços à vista caíram quase 2% para US$ 4.508,99 por onça em 28 de agosto, marcando uma das quedas diárias mais acentuadas em um período de volatilidade do final do verão que levou os traders a reavaliarem suas posições.
A venda prolonga um padrão que tem definido os mercados de ouro nas últimas semanas, com os preços oscilando entre US$ 4.500 e US$ 4.600. Para um metal que estava sendo negociado acima de US$ 5.000 no início deste ano, a faixa atual representa uma correção significativa, mesmo que os ganhos anuais do ouro ainda pareçam impressionantes por quase qualquer padrão.
O que está impulsionando o recuo
Não há uma única causa clara por trás da queda. Em vez disso, uma confluência de fatores tem desgastado o impulso do ouro desde que ele recuou dos máximos no início de 2026.
O dólar americano mais forte está próximo do topo dessa lista. O ouro é cotado em dólares globalmente, então, quando o dólar se fortalece, o metal se torna efetivamente mais caro para compradores internacionais.
Dados resistentes do mercado de trabalho dos EUA também desempenharam um papel. Números de emprego mais fortes do que o esperado reduzem a urgência do Federal Reserve em aliviar a política monetária, o que, por sua vez, sustenta taxas de juros reais mais altas.
As pressões inflacionárias dos mercados de energia adicionaram outra complexidade. Custos energéticos mais altos contribuíram para a força do dólar, criando um cenário em que a inflação ajuda mais a moeda do que o metal.
Uma correção com contexto
Vale a pena dar um passo para trás antes de declarar um mercado baixista para o ouro. Mesmo a US$ 4.509, o metal apresenta uma alta anual de aproximadamente 33% a 36%.
No início deste ano, em fevereiro, o ouro caiu cerca de 2,8% em uma única sessão, ficando em torno de US$ 4.939 por onça. Houve outros episódios ao longo de 2025 e 2026 nos quais quedas únicas de 2% a 9% ocorreram após fortes altas.
As compras do banco central têm sido um dos pilares estruturais que mantêm o piso do ouro intacto. Países ao redor do mundo têm diversificado suas reservas longe de ativos denominados em dólar, criando uma fonte constante de demanda física que atua como um amortecedor durante vendas em massa.
O que observar a partir daqui
O nível de US$ 4.500 está se configurando como uma linha psicológica e técnica. O ouro foi negociado exatamente nesse limiar na última sessão, e uma quebra sustentada abaixo dele pode desencadear vendas adicionais de traders algorítmicos e técnicos que acompanham de perto números redondos.
Os sinais da política do Fed permanecem como a variável mais importante para a direção de curto prazo do ouro. Qualquer mudança nas expectativas sobre cortes ou manutenção das taxas pode alterar drasticamente a trajetória do dólar, o que afetará diretamente a precificação do ouro.
Uma queda de mais de US$ 5.000 para US$ 4.509 representa uma correção de aproximadamente 10% ou mais em relação aos níveis máximos, o que historicamente marcou uma zona onde os compradores começam a retornar.
