A SpaceX emitirá em breve seu primeiro relatório trimestral após a abertura de capital, e o mercado enfrentará um teste crucial.
A SpaceX divulgará seus resultados do segundo trimestre após o fechamento em 4 de agosto, horário da Costa Leste dos EUA (quarta-feira). Até o abertura desta segunda-feira, suas ações caíram por quatro semanas consecutivas, recuando cerca de 20% em relação ao preço de oferta de IPO de US$ 135 e acumulando uma queda de 46% em relação ao recorde histórico de fechamento de 201,80 dólares em 16 de junho.

O analista da Cantor Fitzgerald, Colin Canfield, apontou no relatório de prévia que "as expectativas de lucro do primeiro trimestre podem apresentar desvios extremos", sugerindo que o mercado tem quase nenhuma capacidade de prever a direção dos resultados.
Ao mesmo tempo, a pressão de desbloqueio paira sobre o preço das ações. Cerca de 912 milhões de ações serão liberadas para negociação em 6 de agosto, com mais cerca de 319 milhões de ações sendo desbloqueadas aproximadamente uma semana depois. Isso significa que a pressão de venda potencial dos investidores iniciais não pode ser ignorada, e o mercado estará atento à reação do preço nas quintas e sextas-feiras — um relatório financeiro sólido pode ser o único catalisador capaz de interromper a tendência de queda contínua.
O potencial de receita dos negócios de IA é enorme, mas também é o mais incerto
O relatório financeiro da SpaceX é divulgado em três segmentos de negócios: Espaço (Space), Conectividade (Connectivity) e Inteligência Artificial (AI). Entre eles, o segmento de IA é a maior incógnita deste trimestre.
O ativo central do negócio de IA é a xAI — a fusão com a SpaceX foi concluída em fevereiro deste ano. A xAI opera atualmente dois data centers terrestres: o Colossus I, localizado no Tennessee, e o Colossus II, localizado no Mississippi. No primeiro trimestre, o negócio de IA gerou receita de US$ 818 milhões, mas registrou prejuízo operacional de US$ 2,5 bilhões no mesmo período, com despesas de capital de US$ 7,7 bilhões.
Ao entrar no segundo trimestre, a receita apresenta uma variável importante. A SpaceX assinou acordos de locação de data centers de IA com a Anthropic e o Google, sendo que o acordo com a Anthropic envolve valor mensal de até US$ 1,25 bilhão, com aumento progressivo entre maio e junho; o acordo com o Google ainda não foi iniciado. Isso significa que a receita real do negócio de IA neste trimestre apresenta grande elasticidade, e a trajetória da margem de lucro, bem como o ritmo dos novos gastos de capital, também são difíceis de prever.
As orientações mais aguardadas pelos investidores incluem: as perspectivas da empresa para o segundo semestre deste ano e para 2027 sobre os negócios de IA, bem como o cronograma para avançar a ideia de utilizar o Starship para colocar satélites de computação de IA de baixo custo em órbita.
Starlink: O crescimento de usuários é a métrica principal
A Starlink é o motor de lucro mais sólido da SpaceX. No final do primeiro trimestre, o número de assinantes da Starlink atingiu 10,3 milhões, mais do que o dobro dos 5 milhões registrados há 12 meses; o trimestre gerou receita de US$ 11,4 bilhões e lucro operacional de US$ 4,4 bilhões.
Nos resultados deste trimestre, os dados de crescimento de usuários serão o foco do mercado. Colin Canfield espera que a empresa divulgue o indicador de receita média por usuário (ARPU), bem como o pipeline de contratos para negócios corporativos e governamentais, dados que ajudarão os investidores a avaliar a profundidade da comercialização do Starlink e seu potencial de crescimento futuro.
Negócios espaciais: Progresso do Starship atrai atenção
O setor espacial carrega a narrativa central da SpaceX. No primeiro trimestre, o setor gerou receita de US$ 4,1 bilhões, apresentou prejuízo operacional de US$ 657 milhões e realizou investimentos em capital em novas instalações e equipamentos de US$ 1,1 bilhão. No segundo trimestre, o Falcon 9 realizou cerca de 36 lançamentos, a maioria dos quais serviu à implantação de sua própria constelação Starlink, e esses lançamentos não são contabilizados na receita do setor espacial.
O progresso do Starship também está recebendo grande atenção. Em julho, o Starship concluiu seu 13º teste de voo, e os investidores buscarão atualizações sobre a data do 14º teste, bem como o nível contínuo de investimento da empresa nesse foguete — o Starship é um veículo crucial para lançamentos comerciais de cargas e para a implantação de satélites de IA no futuro.
Expectativas de desempenho e perspectivas de mercado
Wall Street atualmente prevê que a receita total da SpaceX no segundo trimestre será de aproximadamente US$ 6,9 bilhões, com EBITDA de cerca de US$ 2,1 bilhões; a previsão anual de receita é de US$ 39 bilhões e a de EBITDA, de US$ 17,3 bilhões. Colin Canfield está mais otimista em relação a este trimestre, prevendo desempenho acima do esperado e orientação positiva.
No entanto, o valor de referência dessas previsões é questionável. Como este é o primeiro relatório trimestral após a estreia da SpaceX na bolsa, os analistas não dispõem de dados históricos para calibrar suas expectativas, e os números reais podem divergir significativamente.
O movimento dos preços das ações também é incerto. A pressão de oferta proveniente da liberação de ações, as preocupações com a distração de Musk e a própria controvérsia sobre a avaliação — com uma capitalização de mercado atual de cerca de US$ 1,4 trilhão, correspondendo a cerca de 35 vezes a receita prevista para 2026 — serão fatores-chave que influenciarão a reação do mercado após o relatório financeiro. Para os investidores, este fim de semana pode ser extremamente agitado.
