TL;DR
- A polícia da Coreia do Sul prendeu dois operadores em uma rede de crimes de assédio contratado pagos em criptomoeda.
- O esquema explorou o anonimato da criptomoeda para manter os clientes ocultos dos operativos presos.
- Casos recentes na Coreia do Sul ligam os recursos de anonimato de criptomoedas a crimes violentos.
A polícia da Coreia do Sul desmantelou parte de uma organização que vendia serviços de assédio em troca de criptomoedas. Os clientes faziam pedidos por meio do Telegram, transferiam moeda digital como pagamento e recebiam ataques direcionados contra indivíduos específicos em troca: ameaças impressas, danos a propriedades e, em vários casos, resíduos humanos jogados na frente de residências particulares.
Dois dos operativos, identificados na imprensa local como “Sr. Lim” e “Sr. K”, enfrentam acusações por danificar portas residenciais e distribuir panfletos com mensagens de intimidação direta. Pelo menos parte do material impresso continha a frase “Eu não vou deixar você sozinho.” Ambos os homens foram presos na última semana, embora as autoridades reconheçam que seus superiores na rede permaneçam não identificados.
O pagamento por trabalho variou entre 500.000 e 1.000.000 won sul-coreanos — o equivalente a aproximadamente US$ 337 a US$ 675 — liquidado em criptomoeda. Os suspeitos interrogados em pelo menos três casos, com incidentes que remontam a 7 de dezembro, afirmaram consistentemente não ter conhecimento de quem financiou as operações. A estrutura do esquema explorou deliberadamente o anonimato proporcionado pelos pagamentos em ativo digital para manter os operadores desconectados dos clientes.
A polícia agora está investigando se as prisões recentes estão diretamente ligadas ao incidente de dezembro, no qual o mesmo padrão operacional apareceu: danos à propriedade, panfletos ameaçadores e pagamentos em criptomoeda fracionados distribuídos entre três indivíduos distintos.
As criptomoedas continuam surgindo nos recentes casos criminais do país
A rede de vingança sob encomenda não existe em isolamento. A Coreia do Sul acumulou uma série de incidentes recentes nos quais a criptomoeda parece estar ligada a eventos que vão muito além da especulação financeira.
No início de 2025, as autoridades acusaram um homem de tentativa de homicídio após ele supostamente misturar metomil — um inseticida proibido e tóxico — no café de seu sócio comercial. O gatilho para o ataque, segundo investigadores, foi uma disputa sobre perdas decorrentes de investimentos em bitcoin mal gerenciados. O caso ilustrou de forma nítida como conflitos financeiros dentro do mercado de criptomoedas podem se transbordar em violência física.

Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório do país enfrentou seus próprios tropeços. O Serviço Nacional de Impostos da Coreia do Sul publicou um comunicado de imprensa oficial que acidentalmente incluiu a frase semente de três carteiras digitais que detinham tokens com valor aproximado de US$ 4,8 milhões.
Uma frase semente é a chave mestre que concede acesso total a uma carteira e permite que qualquer pessoa que a detenha esvazie completamente os fundos, transformando o próprio anúncio do governo em uma vulnerabilidade pública significativa. Em um caso separado, um indivíduo perdeu o acesso a bitcoin avaliado em US$ 1,4 milhão — fundos que permaneceram bloqueados por mais de quatro anos.
A conexão entre todos esses episódios não é a tecnologia em si, mas a maneira como diferentes atores exploram suas propriedades específicas. A rede de assédio contratada escolheu a criptomoeda porque o dinheiro se move sem deixar um rastro papel convencional, os clientes permanecem invisíveis e os operadores trabalham sem saber quem os contrata.
A polícia sul-coreana está avançando a partir dos operativos presos, mas o núcleo da operação — quem encomendou e financiou os ataques — ainda não tem rosto nem nome. Se os investigadores conseguem ultrapassar a barreira de anonimato criada pela criptomoeda depende, em grande parte, das pistas deixadas pelos acusados sem perceber.
