Empresas e investidores particulares da Coreia do Sul devem relatar contas financeiras no exterior à autoridade tributária se o saldo acumulado ao final de qualquer mês durante o ano exceder 500 milhões de wons (cerca de $350.000). Ativos digitais estão sujeitos a este regime desde 2023. No entanto, o requisito não se aplica a carteiras de armazenamento próprio, pois não são contas abertas com provedores de serviços. Na declaração fiscal, devem ser informados os dados da organização estrangeira, as informações da conta e os detalhes do saldo.
Uma decisão esclarecedora foi tomada pelo regulador em resposta a um pedido de um residente da Coreia do Sul, que era credor de uma exchange de criptomoedas estrangeira que falhou em novembro de 2022 (as autoridades não nomeiam a empresa, mas todos os indícios apontam para FTX). O coreano mantinha seus ativos na plataforma, participou do processo de distribuição de fundos e começou a receber pagamentos parciais em sua conta bancária na Coreia.
Um investidor procurou a autoridade tributária com a seguinte pergunta: ele é obrigado a declarar os fundos em uma conta financeira no exterior se eles foram bloqueados durante o processo de falência da exchange, impedindo o proprietário de criptomoedas de retirá-los e realizar transações? O serviço tributário da Coreia do Sul respondeu afirmativamente, esclarecendo que os traders são obrigados a divulgar informações sobre seus ativos virtuais em contas abertas em provedores de serviços estrangeiros, mesmo em caso de falência do operador ou perda de controle sobre os ativos.
A apresentação da declaração não significa o pagamento automático de imposto sobre esses ativos. No entanto, pode ser difícil para cidadãos sul-coreanos provar que os fundos nas contas de exchanges estrangeiras já foram perdidos ou são inacessíveis. A interface da exchange em falência pode ainda exibir o saldo original dos tokens dos clientes, mesmo que o administrador judicial não consiga reembolsar o valor total.
De acordo com a Receita Nacional da Coreia do Sul, os traders locais declararam ativos digitais no exterior no valor de 10,5 trilhões de won ($7,8 bi) para o ano de 2026. Isso representa uma redução de 5,4% em relação ao ano anterior. A partir de 1º de janeiro de 2027, o país planeja implementar uma alíquota tributária total de 22% sobre o rendimento anual proveniente de criptomoedas que exceda 2,5 milhões de won ($1.858). O órgão ainda não explicou como a renda proveniente de staking e airdrops será tributada, nem como os custos de aquisição de ativos criptográficos serão calculados.
Recentemente, o tribunal do Distrito Central de Seul ordenou que um cliente da segunda maior exchange de criptomoedas da Coreia do Sul, Bithumb, devolvesse cerca de US$ 140.400 após vender bitcoins que foram erroneamente creditados em sua conta. O tribunal classificou os recursos obtidos pelo cliente como enriquecimento ilícito.

