O governo da Coreia do Sul agiu rapidamente para refutar um relatório que afirmava que Washington havia proposto que Seul adquirisse uma participação na Westinghouse Electric Co., a gigante nuclear americana no centro dos planos dos EUA para expandir drasticamente a capacidade doméstica de energia atômica.
Autoridades do Ministério do Comércio, Indústria e Energia rejeitaram categoricamente as alegações, chamando a proposta de investimento conjunto de “não verdadeira”. A negação ocorreu em 24 de agosto, após o Korea Economic Daily publicar uma matéria citando funcionários anônimos que disseram que tal acordo estava em discussão.
O que o relatório afirmou
O artigo do Korea Economic Daily pintou um quadro de uma parceria nuclear potencialmente transformadora. Segundo a publicação, os EUA propuseram o investimento da Coreia do Sul na Westinghouse como forma de aproveitar as reservas de capital de Seul e sua considerável expertise em construção para a expansão nuclear americana.
O relatório sugeriu que um investimento sul-coreano na Westinghouse poderia realizar duas coisas simultaneamente. Primeiro, ajudaria a resolver disputas de propriedade intelectual de longa data entre a Westinghouse e empresas nucleares sul-coreanas. Segundo, abriria caminho para empresas da Coreia do Sul participarem do mercado de reatores grandes dos EUA, que tem sido em grande parte inacessível devido a controles de exportação e restrições de IP.
Um mecanismo de financiamento mencionado no relatório foi um fundo de investimento estratégico bilateral proposto de US$ 200 bilhões, que teoricamente forneceria a força financeira necessária para tal operação.
A imagem de propriedade
A Westinghouse é atualmente detida por dois grandes players. A Brookfield Asset Management detém uma participação majoritária de 51%, enquanto a produtora canadense de urânio Cameco Corporation possui os 49% restantes. O par adquiriu a empresa fora da falência, apostando que uma renaissance nuclear global tornaria a tecnologia de reatores e os serviços de combustível da Westinghouse extremamente valiosos.
Washington teria direito a adquirir até uma participação de 20% na Westinghouse em troca de apoio ao desenvolvimento nuclear doméstico avaliado em mais de US$ 80 bilhões.
A relação nuclear mais ampla entre os EUA e a Coreia do Sul
Os EUA e a Coreia do Sul vêm trabalhando lentamente, às vezes dolorosamente, para resolver questões de cooperação nuclear há anos. A Coreia do Sul constrói reatores usando tecnologia derivada de projetos da Westinghouse, gerando perguntas persistentes sobre quem possui o quê e quem pode vender o quê a quem.
Em janeiro de 2025, a Westinghouse e a Korea Hydro & Nuclear Power, uma subsidiária da KEPCO controlada pelo estado, chegaram a um acordo de assentamento que deveria esclarecer parte dessas obscuridades de propriedade intelectual. Esse acordo foi visto como um passo significativo para permitir que empresas coreanas competissem mais livremente nos mercados internacionais de reatores.
A Coreia do Sul já demonstrou sua competitividade no exterior. Empresas coreanas estiveram envolvidas em acordos de reatores na República Tcheca, entre outros mercados, embora esses projetos às vezes tenham entrado em conflito com as reivindicações de propriedade intelectual da Westinghouse. O acordo tinha como objetivo reduzir essa fricção.
O que os sinais de negação indicam
A rejeição rápida e imediata de Seul sugere que o governo estava ansioso para se antecipar a qualquer especulação de mercado. Quando os ministérios do comércio emitem negações categóricas dentro de horas de um relato jornalístico, normalmente significa que ou o relato estava realmente errado ou as discussões eram tão preliminares que reconhecê-las seria politicamente inconveniente.
A opção do governo dos EUA de adquirir até 20% da Westinghouse já cria um caminho potencial para a evolução da estrutura de propriedade da empresa. Adicionar uma participação do governo sul-coreano a isso transformaria a Westinghouse em uma entidade verdadeiramente multinacional em um setor onde os governos tendem a preferir controle rigoroso sobre suas cadeias de suprimentos nucleares.
