Os reguladores financeiros da Coreia do Sul detalharam uma política voltada para construir a infraestrutura para tokenizar títulos para liquidação em stablecoin na sexta-feira.
Autoridades da Comissão de Serviços Financeiros (FSC) e do Serviço de Supervisão Financeira (FSS) do país disseram que o plano é tokenizar ativos financeiros tradicionais, como ações, títulos e fundos, e expandir ofertas de tokens de segurança (STOs) além de produtos de investimento fracionário até fevereiro de 2027.
“As autoridades buscarão estabelecer as bases para facilitar a emissão e circulação tokenizadas de tipos mais tradicionais de títulos, incluindo ações, títulos e fundos, com o objetivo final de transformar e modernizar completamente as infraestruturas de mercados de capitais para conectividade digital,” disse Kwon Dae-young, vice-presidente da FSC.
A Coreia do Sul é um dos mercados de investimento varejista mais ativos do mundo, com 11,3 milhões de usuários de criptomoedas verificados e um mercado de ações que regularmente apresenta volumes de negociação diários comparáveis aos das exchanges de criptomoedas. Levar a tokenização aos títulos convencionais, e não apenas a produtos de investimento fracionários, coloca o país em um caminho para uma infraestrutura completa de mercado de capitais digitais.
A Ásia desempenha um papel cada vez mais significativo nos mercados globais de criptomoedas, com a maior taxa de crescimento entre todas as regiões e uma participação de 30% na atividade global de negociação de stablecoins em 2025, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O Japão anunciou planos na semana passada para um sistema nacional de liquidação em blockchain para ações e títulos públicos, que pretende implementar até o início da década de 2030. Cingapura finalizou esta semana seu marco regulatório para stablecoins.
A primeira fase do roteiro da Coreia começa em fevereiro de 2027, com a Lei de Registro Eletrônico, uma lei para fundos do mercado monetário e títulos para investidores institucionais, ações não listadas por meio de estruturas de confiança e títulos de investimento fracionário oferecidos ao público.
A segunda etapa do plano abre a tokenização para todos os títulos oferecidos ao público. E a terceira e última parte estabelece infraestrutura de pagamento onchain vinculada a stablecoins, embora o cronograma das fases dois e três dependa dos resultados da fase um, da adoção tecnológica pelos participantes do mercado e da legislação pendente sobre stablecoins.
As assinaturas individuais são limitadas ao menor valor entre 30 milhões de won ($22.000) e 5% do volume total de emissão, segundo o comunicado da FSC. As compras líquidas anuais em exchanges over-the-counter (OTC) são limitadas a aproximadamente $74.000.
Empresas financeiras já licenciadas poderão operar títulos tokenizados dentro de suas licenças atuais. Emissores que gerenciam suas próprias contas de títulos devem possuir pelo menos US$ 3 milhões em capital próprio e atender a padrões específicos de TI e cibersegurança.
A FSC disseceu que planeja apresentar propostas para revisar a legislação subsidiária até o final de setembro.

