O ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, anunciou planos para encerrar o vácuo regulatório do país em relação a crypto, elaborando novas regras para integrar ativos digitais no regime de gestão do fluxo de capital nacional.
Fechar o vácuo regulatório
O ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, sinalizou um fim definitivo ao vácuo regulatório que envolve ativos digitais, revelando o plano do Tesouro Nacional de publicar regulamentos provisórios para trazer criptomoedas sob o regime de gestão de fluxos de capital do país.
A medida, detalhada durante o discurso orçamentário de 25 de fevereiro, visa integrar ativos crypto no quadro de movimentação de capital transfronteiriço. Segundo Godongwana, essas novas regras sob a Lei de Moeda e Câmbio complementarão as medidas existentes de combate à lavagem de dinheiro e prevenção de fraudes.
O anúncio do ministro segue um período de incerteza jurídica desencadeado por uma decisão histórica do Tribunal Superior de Pretória em maio de 2025. No caso Standard Bank v SARB, o juiz Mandlenkosi Motha decidiu que as regras de controle de câmbio da África do Sul de 1961 não se aplicam a cryptocurrencies, que existem há mais de 15 anos. A decisão isentou efetivamente cryptocurrencies de restrições de capital até que nova legislação seja elaborada.
Em sua decisão, Motha criticou fortemente o Banco da África do Sul (SARB) por sua dependência de regulamentações desatualizadas para governar ativos digitais e rejeitou a ideia de que eles atendem à definição legal de dinheiro. No entanto, o SARB subsequentemente apelou da decisão para a Suprema Corte de Apelação, com uma audiência prevista para 2026. O banco central insiste que as leis existentes de controle de câmbio são o quadro correto para regulamentação, e a decisão do Tribunal Superior permanece suspensa aguardando o resultado do recurso.
Ao responder à crítica do Tribunal Superior de que os reguladores haviam sido pegos de surpresa apesar da existência de crypto há 15 anos, Godongwana esclareceu que o governo não buscaria “isenções” para essa classe de ativos. Em vez disso, o Banco Central da África do Sul (SARB) publicará um quadro abrangente que define parâmetros, responsabilidades administrativas e requisitos de relatório para todas as transações crypto transfronteiriças.
Enquanto isso, o recurso do SARB atraiu críticas por aquilo que alguns chamam de “querer pão com manteiga dos dois lados”. Historicamente, funcionários do SARB, incluindo o governador Lesetja Kganyago, têm sido relutantes em usar até mesmo a palavra moeda, preferindo o termo crypto ativos ou até mesmo tokens cibernéticos.
Além disso, enquanto a South African Revenue Service (SARS) busca tributar ganhos de crypto às taxas mais altas possíveis como renda comum, o Banco Central agora luta pelo direito de regulamentá-los sob as mesmas regras rigorosas aplicadas à moeda estrangeira legal.
Perguntas frequentes ❓
- Qual é o novo plano do governo sul-africano para criptomoeda? O Tesouro Nacional está elaborando novas regulamentações sob a Lei de Moeda e Câmbio para incluir oficialmente os ativos crypto no regime de gestão de fluxos de capital do país.
- Por que o Banco da Reserva Sul-Africano (SARB) está introduzindo essas regras agora? A medida segue uma decisão do Tribunal Superior de 2025 que declarou as leis de controle cambial com 60 anos de idade inaplicáveis a ativos digitais, criando um vácuo regulatório temporário.
- Como o novo quadro afetará as transações transfronteiriças crypto? O SARB publicará requisitos administrativos e de relatório específicos para garantir que todos os movimentos internacionais de crypto estejam em conformidade com os padrões nacionais de combate à lavagem de dinheiro.
- Qual é o status legal atual dos controles de exchange de crypto na África do Sul? Embora o Tribunal Superior tenha decidido contra os controles existentes, a decisão está atualmente suspensa à espera do recurso do SARB ao Supremo Tribunal de Apelação em 2026.
