A Revolut, a gigante de fintech com mais de 70 milhões de clientes, já não se contenta apenas em permitir que as pessoas comprem e vendam tokens de outras empresas. Ela quer cunhar seu próprio dinheiro.
A empresa anunciou planos para lançar stablecoins, começando com um token atrelado à libra esterlina, atualmente sendo testado dentro do sandbox regulatório da Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido. Essa iniciativa coloca a Revolut diretamente em uma corrida ao lado de bancos tradicionais e empresas nativas de cripto para dominar a próxima geração de infraestrutura de pagamentos digitais.
Do sandbox aos meios de liquidação
A Revolut foi selecionada para a coorte de sandbox de stablecoins da FCA em 25 de fevereiro de 2026, com os testes iniciando no Q1 deste ano. O token vinculado ao GBP foi projetado para lidar com emissão, pagamentos, liquidação no atacado e negociação de criptomoedas, cobrindo essencialmente todos os casos de uso relevantes.
O token será lastreado 1:1 por reservas mantidas em libras. Os testes focam no funcionamento do token dentro do aplicativo Revolut e em sua transferência por redes de blockchain públicas.
O cronograma também não é acidental. A Revolut obteve uma licença bancária completa no Reino Unido em março de 2026, conferindo-lhe a credibilidade regulatória para operar como mais do que apenas uma fintech com um aplicativo sofisticado. A empresa também está visando o lançamento da Revolut Bank, N.A. nos EUA em 2027, que ofereceria produtos segurados pelo FDIC. Desenvolver capacidades de stablecoin agora significa que a infraestrutura estará pronta quando essas operações bancárias forem ativadas.
O guia de remessas já está funcionando
A Revolut não tem esperado pelo lançamento de sua própria stablecoin para começar a mover dinheiro na cadeia. A empresa já integrou remessas baseadas em stablecoins usando USDC e USDT na rede Polygon, processando quase US$ 700 milhões em volume de remessas desde o final de 2024.
A Revolut tem se concentrado especificamente em corredores como o canal de remessas Reino Unido-Índia. Com sua própria stablecoin, a empresa poderia eliminar completamente os intermediários restantes, mantendo mais da economia para si mesma, enquanto oferece aos usuários transferências mais rápidas e baratas.
Os ventos regulatórios estão mudando
As ambições da Revolut com stablecoins estão chegando em um momento em que os reguladores do Reino Unido estão ativamente criando espaço para esse tipo de produto. O Banco da Inglaterra revisou suas regras para stablecoins em junho de 2026, introduzindo um limite de emissão por moeda de £40 bilhões e permitindo que emitentes detenham proporções maiores de títulos de curto prazo em suas reservas de lastro.
A maior alocação de títulos do Reino Unido nas reservas significa que os emissores de stablecoins podem ganhar rendimento sobre suas reservas mantendo dívidas do governo britânico, o que torna a economia da emissão substancialmente mais atraente. A Circle já demonstrou esse modelo nos EUA, gerando bilhões em receita com os juros ganhos sobre os ativos das reservas do USDC.
Através do Canal da Mancha, a Revolut também possui autorizações sob o quadro MiCA da UE, que fornece uma estrutura regulatória harmonizada para provedores de serviços de ativos criptográficos em todos os Estados-membros. Isso oferece à empresa uma possível via para expandir suas ofertas de stablecoins para os mercados europeus sem precisar navegar por um emaranhado de regulamentações nacionais.
O que isso significa para o cenário competitivo
A entrada da Revolut na emissão de stablecoins representa algo mais amplo do que uma única empresa lançando um novo produto. Ela marca uma mudança na forma como as fintechs e os bancos enxergam as stablecoins: não como uma curiosidade de criptomoeda, mas como infraestrutura de pagamentos essencial.
A Revolut ocupa um ponto ideal incomum. Possui licenças bancárias, acesso ao sandbox regulatório, a infraestrutura de criptomoedas existente e uma base de usuários massiva que já trata o aplicativo como seu principal centro financeiro.
Com o lançamento bancário nos EUA em 2027 à vista e testes de stablecoin em andamento no Reino Unido, a Revolut está essencialmente construindo uma pilha global de moeda digital em paralelo com sua expansão bancária tradicional.


