Mercados de previsões não são conhecidos por sua sutileza. No momento, os traders da Polymarket estão atribuindo odds de quatro para um de que o IPO da OpenAI fechará com uma capitalização de mercado de US$ 1,5 trilhão ou mais até o final de 2027. Isso representa uma mudança notável em relação à probabilidade de 35% atribuída no início deste ano, e revela algo importante sobre a velocidade com que a história do investimento em IA avançou.
Em setembro de 2026, o contrato que rastreia a capitalização de mercado de fechamento da OpenAI ultrapassou US$ 233.000 em volume de negociação, um valor modesto segundo os padrões de Wall Street, mas significativo para um mercado de previsões focado na estreia pública de uma única empresa privada.
O que realmente está impulsionando a confiança
A rodada de financiamento da OpenAI em março de 2026 foi o catalisador mais claro. A empresa arrecadou capital com uma avaliação pós-negócio de US$ 852 bilhões, tornando-a instantaneamente uma das empresas privadas mais valiosas da história.
Em seguida, em 8 de junho de 2026, a OpenAI apresentou um S-1 confidencial à SEC. Esse arquivo é o pontapé inicial formal para o processo de oferta pública. As empresas apresentam documentos confidencialmente para lidar com comentários regulatórios antes de irem à bolsa, o que significa que o documento ainda não está disponível para investidores externos, mas sua existência sinaliza que o planejamento interno já avançou muito além da fase de quadro-branco e expectativas otimistas.
A história de receita já foi acompanhada. A OpenAI agora está gerando aproximadamente US$ 25 bilhões em receita anualizada, impulsionada por assinaturas do ChatGPT e contratos de API empresarial.
Os contratos relacionados à Polymarket estão precificando uma probabilidade de 95% de que o IPO feche acima de US$ 1 trilhão, assumindo que ocorra dentro da janela de 2027. O contrato de US$ 1,5 trilhão é o limiar mais ambicioso, e mesmo esse agora está precificado em 80%.
A matemática que causa reflexão
Uma avaliação de US$ 1,5 trilhão com receita de US$ 25 bilhões implica um múltiplo preço/receita de 60 vezes. Esse é um número que faria até o investidor de crescimento mais entusiasmado hesitar, pois pressupõe não apenas que a OpenAI continue crescendo rapidamente, mas que o faça enquanto resolve um problema de rentabilidade que ainda não superou.
A OpenAI ainda está registrando prejuízos segundo os GAAP. Os custos de infraestrutura da empresa — os centros de dados, a aquisição de chips, as contas de energia associadas ao treinamento e à prestação de modelos de IA de ponta — são enormes. Alcançar a rentabilidade em escala exige receitas significativamente maiores ou custos de computação drasticamente menores, e idealmente ambos ao mesmo tempo.
Também há uma ressalva estrutural importante a ser compreendida. A OpenAI reestruturou sua governança corporativa em 2025, passando de seu modelo incomum de lucro limitado para uma corporação de benefício público com fins lucrativos mais convencional. Essa mudança foi uma pré-condição necessária para uma oferta pública inicial, pois investidores institucionais exigem os tipos de direitos de acionistas e clareza de governança que os mercados públicos exigem. Sem ela, o arquivo S-1 não teria sido possível.
