Sam Altman não está satisfeito em criar o chatbot mais popular do mundo. Ele também quer construir o hardware em que ele será hospedado.
O CEO da OpenAI tem apresentado uma visão cada vez mais detalhada do que ele chama de “um novo tipo de computador”, projetado desde o início para IA, e não adaptado a partir de paradigmas com décadas de idade. A ideia central: dispositivos que não esperam você tocar, digitar ou deslizar. Eles simplesmente sabem o que você precisa e agem por conta própria.
O diferencial: computadores que pensam adiante
O argumento de Altman resume-se a uma observação simples. Smartphones e PCs foram projetados para um mundo onde os humanos faziam o processamento. Dispositivos nativos de IA devem inverter totalmente esse relacionamento.
Em vez de pegar o telefone para verificar seu calendário, enviar uma mensagem ou ajustar o termostato, Altman imagina hardware que mantém contexto contínuo sobre sua vida. Ele realizaria tarefas de forma proativa, antecipando o que você quer antes que você peça.
Esse nível de personalização é o objetivo final. Altman sugeriu que avanços na personalização profunda poderão ocorrer em meses, não anos, estabelecendo a base de software para o impulso de hardware que se seguirá.
Jony Ive, uma aquisição de US$ 6,5 bilhões e um alto-falante inteligente
A OpenAI não está tratando isso como um projeto secundário. Em 2025, a empresa adquiriu a startup de Jony Ive por US$ 6,5 bilhões em ações, trazendo o ex-chefe de design da Apple para dentro da empresa.
O primeiro produto dessa colaboração deve ser um alto-falante inteligente portátil e alimentado por bateria. Ele tem como alvo um lançamento em 2027, com preço entre US$ 200 e US$ 300, posicionando-se na mesma faixa que um HomePod ou um par de fones de ouvido de médio porte.
O dispositivo foi descrito como um "companheiro de IA humanóide" em vez de um alto-falante tradicional. Relatos da Bloomberg e da MacRumors indicam que ele virá com sensores, reconhecimento de voz avançado e a capacidade de realizar tarefas proativamente com base nas preferências do usuário e em pistas contextuais. Ele foi projetado para controlar dispositivos inteligentes da casa, responder a mensagens e melhorar com o uso prolongado.
O roadmap de hardware da OpenAI inclui, segundo relatos, múltiplos formatos projetados para complementar, não substituir, dispositivos existentes como telefones e laptops.
Por que isso é mais difícil do que parece
Criar uma nova categoria de computação é aproximadamente tão fácil quanto parece impossível. O cemitério de dispositivos “pós-smartphone” é profundo e bem povoado. O Google Glass chegou muito cedo e de forma muito incômoda. O Humane AI Pin foi lançado com críticas devastadoras. O R1 da Rabbit lutou para justificar sua existência ao lado de um telefone que já estava no bolso de todos.
As desvantagens são reais, no entanto. A Apple entrou com uma ação judicial contra a OpenAI alegando violações de segredos comerciais relacionadas aos projetos de hardware. Disputas legais dessa natureza podem atrasar prazos e desviar a atenção dos executivos, mesmo que não tenham sucesso final.
O que observar
Para os concorrentes, a resposta já está tomando forma. A Apple está aprofundando a integração do Siri com IA no dispositivo. O Google está incorporando o Gemini de forma mais agressiva em seus dispositivos Pixel. A Amazon tem tentado tornar a Alexa mais inteligente há quase uma década, com resultados mistos.
O ponto de preço de US$ 200 a US$ 300 para o palestrante inicial é estrategicamente interessante. É baixo o suficiente para ser uma compra por impulso para os primeiros adotantes, mas alto o suficiente para sinalizar que isso não é um experimento descartável.
Investidores que acompanham a trajetória da OpenAI devem prestar atenção se o prazo de 2027 será mantido. O desenvolvimento de hardware é notoriamente implacável, e a empresa não tem histórico de lançar produtos físicos. A batalha legal com a Apple adiciona outra variável que pode adiar prazos ou forçar compromissos no design.
