Nova evolução em um processo judicial em Nova York envolvendo a propriedade de numerosos endereços de Bitcoin inativos. Uma carteira listada no processo transferiu 40 BTC em 3 de setembro, após permanecer inativa por quase 15 anos, o que equivale a aproximadamente US$ 3,1 milhões ao preço da época. Essa transferência indica que a chave privada correspondente ainda está em posse de alguém, mas não prova diretamente a propriedade legal.
Saque de 40 BTC de carteira inativa
Os dados na cadeia mostram que esta transação foi confirmada no bloco de Bitcoin 965.330. A Galaxy Research rotulou o endereço de saída como “Noah Doe #38097” e afirmou que está relacionado a um caso de propriedade de Bitcoin atualmente em julgamento em Nova York.
A última atividade desse endereço remonta a 5 de novembro de 2011, quando o preço do Bitcoin estava em torno de 3 dólares. Esta transferência apenas indica que alguém conseguiu acessar a chave privada desse endereço; não é possível determinar a identidade do operador nem confirmar se esses bitcoins foram vendidos, com base nos dados públicos da cadeia.
O processo envolve 39.069 endereços
O caso foi registrado no Tribunal Superior do Condado de Nova York, com os autores sendo a ABC Company, a XYZ Company e Noah Doe, processando os réus anônimos de 1 a 39.069. Os autores solicitam ao tribunal que reconheça seus direitos legais sobre os bitcoins associados a esses endereços.
Ao analisar previamente as queixas, os pesquisadores descobriram que esses endereços detêm coletivamente cerca de 3,7 a 3,8 milhões de bitcoins. Estimando-se pelos preços anteriores, o valor total seria de aproximadamente US$ 293 bilhões. A lista supostamente inclui carteiras associadas a Satoshi Nakamoto, ao roubo da Mt. Gox e a endereços de destruição, mas esses rótulos são principalmente provenientes de análise na blockchain e não constituem, por si só, prova legal de propriedade.
Movimentos de endereço enfraquecem a alegação do autor
O autor alega que os ativos correspondentes a esses endereços são considerados "bens perdidos ou abandonados" nos termos da Seção 7-B da Lei de Propriedade Pessoal de Nova York. Eles afirmam que essas carteiras foram identificadas por algoritmos, relatadas à polícia e notificadas por meio de transferências on-chain de pequeno valor com mensagens anexadas.
No entanto, a reativação das carteiras incluídas na ação judicial entra em conflito com a afirmação de que “nenhuma chave privada está sob controle”. Relatórios indicam que os autores da ação já haviam removido do escopo da demanda certos endereços após a recuperação de atividade neles. Em julho deste ano, Alex Thorn, da Galaxy Research, afirmou que 44 endereços foram excluídos da demanda judicial devido à reativação de atividade na cadeia.
A controvérsia centra-se na classificação de auto-custódia
Os oponentes argumentam que a inatividade prolongada de um endereço não é suficiente para provar que os ativos foram abandonados. Advogados como Ian Cohen, a Digital Chamber e o Bitcoin Policy Institute questionaram a lógica jurídica da parte autora, afirmando que um endereço na blockchain pública não pode ser reivindicado por qualquer pessoa que simplesmente o "veja".
Anteriormente, um juiz de Nova York suspendeu temporariamente o andamento do caso, impedindo que o autor obtivesse uma sentença por omissão imediatamente. Até o momento, o tribunal não determinou que esses endereços sejam considerados bens abandonados, nem atribuiu os bitcoins correspondentes a Noah Doe e às duas empresas. Mesmo que o autor obtenha finalmente uma sentença favorável, a sentença em si não lhe conferirá automaticamente as chaves privadas.

