Uma ação judicial em Nova York traz à tona a controvérsia legal sobre carteiras de Bitcoin inativas há muito tempo. Em 1º de maio, o autor Noah Doe entrou com uma ação em Nova York, solicitando ao tribunal que reconheça a propriedade de 39.069 endereços inativos e seus ativos associados. O caso se baseia nas leis de bens perdidos do Estado de Nova York, com a questão central sendo: Bitcoin autocontrolado há muito tempo perdido pode ser considerado propriedade abandonada?
O litígio envolve aproximadamente 3,7 milhões de BTC
Os documentos judiciais afirmam que esses endereços detêm coletivamente cerca de 3,7 milhões de BTC, avaliados em aproximadamente US$ 285 bilhões ao preço atual. O relatório menciona que a lista inclui endereços associados a Satoshi Nakamoto, bem como endereços apontados como relacionados aos hackers do Mt. Gox.
O autor alega que, em outubro de 2024, descobriu uma vulnerabilidade de segurança que, segundo ele, fez com que alguns detentores de carteiras perdessem permanentemente a capacidade de retirar seus ativos. Em seguida, utilizou seu próprio algoritmo para identificar carteiras que atendiam ao critério de "abandonadas", notificou a polícia de Nova York e passou mais de um ano tentando localizar os proprietários originais.
O autor solicita ao tribunal que confirme a propriedade
A queixa solicita ao tribunal uma sentença declaratória reconhecendo Noah Doe e suas duas empresas cessionárias como os legítimos proprietários dessas carteiras e dos ativos nelas contidos. Os documentos mostram que, além de 18 carteiras, todos os demais direitos relacionados foram transferidos em dezembro de 2025 para uma empresa denominada ABC Company, que, por sua vez, transferiu 17,7% desses direitos para a XYZ Company.
Este caso não é uma simples recuperação de ativos. Ele tenta aplicar diretamente as regras estaduais de bens perdidos de Nova York a endereços auto-custodiados na cadeia. Diferentemente dos ativos custodiados por exchanges, essas carteiras não estão registradas em livros institucionais e não possuem procedimentos prontos para lidar com ativos inativos.
O foco do caso está na classificação de carteiras autocontroladas
Atualmente, os ativos dos clientes detidos pela exchange geralmente já estão sujeitos a regras de inatividade e entrega, mas não há precedentes judiciais claros sobre se um framework semelhante se aplica a carteiras auto-custodiadas. Por isso, a importância deste caso não se limita a uma única disputa de propriedade, mas também reside na possibilidade de o tribunal responder pela primeira vez à questão do abandono de ativos descentralizados.
No entanto, a reportagem também mencionou questionamentos em nível de programa. O fundador da plataforma de análise on-chain Timechain Index apontou que os endereços aos quais os autores enviaram notificações legais são endereços Pay-to-Public-Key-Hash, enquanto muitos saldos iniciais de Bitcoin estão na verdade em outro formato de script. Se isso for verdade, o caso pode enfrentar desafios no procedimento de notificação.
Se o tribunal aceitar e atender ao pedido do autor, o resultado pode afetar como as leis estaduais dos EUA tratam ativos criptográficos de longa inatividade e que estão fora do sistema de custódia da exchange.

