Morgan Stanley apresentou uma segunda emenda à sua inscrição S-1 na SEC para o "Morgan Stanley Bitcoin Trust". O produto será negociado sob o ticker MSBT na NYSE Arca.

A Coinbase Custody gerenciará as reservas de bitcoin em armazenamento frio. O Bank of New York Mellon atua como custodiante de caixa, administrador e agente de transferência. O registro inclui capital inicial de 50.000 ações com receitas brutas de aproximadamente US$ 1 milhão. Uma isenção de taxa de seis meses se aplica aos primeiros US$ 5 bilhões em capital investido. Com essa medida, o Morgan Stanley posiciona-se como o primeiro grande banco dos EUA a emitir um ETF de bitcoin à vista diretamente sob seu próprio nome. Isso rompe com a norma do setor de encaminhar tais produtos por meio de subsidiárias de gestão de ativos.

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Integração vertical em vez de terceirização

O arquivo MSBT faz parte de uma estratégia mais ampla em criptomoedas. Em janeiro de 2026, o Morgan Stanley arquivou registros S-1 para um trust de Ethereum e um trust de Solana. Em fevereiro, o banco solicitou ao OCC uma carta de banco nacional fiduciário. A entidade planejada, chamada "Morgan Stanley Digital Trust National Association", tem sua sede em Purchase, Nova York. Seu período de comentários encerrou em 20 de março de 2026.

Esta entidade abrange custódia de ativos digitais, staking fiduciário e a compra, venda e transferência de tokens. A Morgan Stanley Capital Management controla-a integralmente. Ao mesmo tempo, o banco planeja lançar a negociação à vista de criptomoedas para clientes varejistas por meio da E*Trade no primeiro semestre de 2026, começando com bitcoin, ethereum e Solana.

Atualmente, a startup Zerohash fornece a infraestrutura para liquidez, custódia e liquidação. Conforme o tempo passa, sistemas internos substituirão essa dependência de terceiros. O Morgan Stanley está buscando uma cadeia de valor cripto verticalmente integrada, abrangendo ETFs, negociação varejista e custódia institucional. O banco adquiriu a E*Trade em 2020 por aproximadamente US$ 13 bilhões e agora está transformando a plataforma em um canal de negociação cripto.

Emissão direta como precedente

Os ETFs de bitcoin existentes no mercado spot nos EUA operam por meio de subsidiárias especializadas. A BlackRock emite o IBIT por meio da iShares, e a Fidelity utiliza a Fidelity Investments. Com o MSBT, o Morgan Stanley romperia esse modelo, oferecendo o produto diretamente sob sua própria marca. Para investidores institucionais, isso tem implicações concretas: o nome Morgan Stanley está diretamente por trás do produto como contraparte.

O banco sinaliza que não considera os produtos de criptomoedas como uma oferta de nicho. Mais de 15.000 consultores financeiros da Morgan Stanley podem recomendar ativamente ETFs de bitcoin. Com cerca de US$ 1,8 trilhão em AUM de gestão de riqueza, o potencial de distribuição é substancial.

No entanto, o canal impulsionado por consultores permanece em grande parte inexplorado. É exatamente nisso que o Morgan Stanley pretende atuar. Um ETF proprietário, uma rede de consultores autorizados e a infraestrutura de custódia planejada visam clientes que até agora tiveram pouca exposição a produtos de criptomoedas. Os canais bancários tradicionais deixaram em grande parte esse segmento sem atendimento.

Pressão competitiva entre os principais bancos

O Morgan Stanley não é o único grande banco com ambições em cripto. O Goldman Sachs adquiriu a Innovator Capital Management em 2025 por US$ 2 bilhões e detém aproximadamente US$ 2,4 bilhões em ETFs de cripto. Já o JPMorgan projeta até US$ 130 bilhões em entradas anuais de fundos de pensão e fundações para produtos de cripto.

O mercado para licenças federais de bancos de criptomoedas também está se apertando. Em 83 dias, 11 empresas apresentaram pedidos de carta de confiança da OCC. Enquanto isso, a SEC está analisando mais de 126 pedidos de ETFs de criptomoedas, incluindo oito pedidos de ETFs de XRP que poderiam mobilizar de US$ 5 a US$ 7 bilhões após aprovação.

No curto prazo, o mercado apresenta sinais mistos. Em 18 de março, os ETFs de bitcoin à vista nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 129,6 milhões. O IBIT da BlackRock sozinho registrou mais de US$ 100 milhões em saídas. No momento do arquivo, o preço do bitcoin estava em torno de US$ 70.000. Mesmo assim, os ETFs de bitcoin à vista nos EUA estão superando a curva de adoção dos ETFs de ouro, indicando demanda estrutural sustentada.

Detalhes do arquivo MSBT

A segunda emenda do S-1 introduz uma mudança chave. A Fidelity agora se junta à rede de custodiante. Como resultado, o fundo apresenta um modelo de custódia dupla com a Coinbase para armazenamento a frio e a Fidelity como complemento. A BNY Mellon continua a gerenciar caixa e administração. A precificação depende do CoinDesk Bitcoin Benchmark, calculado diariamente às 16:00 horário de Nova York.

As criações e resgates funcionam tanto em base monetária quanto em espécie. Isso oferece flexibilidade aos participantes autorizados na criação e resgate de ações. Os mecanismos em espécie também proporcionam maior eficiência fiscal e reduzem o spread em relação ao valor patrimonial líquido.

O arquivo não especifica uma taxa de despesa final. As estimativas de mercado variam de 0,20 a 0,30 por cento. Um precificação agressiva seria um passo lógico, pois a Morgan Stanley pode sustentar uma guerra de taxas de ETF a partir de uma posição de força. A isenção de taxa por seis meses sobre os primeiros US$ 5 bilhões segue um playbook familiar. A BlackRock e a Fidelity usaram isenções de taxa semelhantes ao lançar os primeiros ETFs de bitcoin a vista no início de 2024 para construir rapidamente volume.