A Mistral AI, a startup sediada em Paris que mal existia há três anos, agora está pedindo à Europa para construir seu próprio futuro em IA ou correr o risco de subordinação permanente ao Vale do Silício. O CEO Arthur Mensch também não está sendo sutil.
Em um relatório do Wall Street Journal publicado em 28 de maio, Mensch apresentou um cronograma que deve deixar os formuladores de políticas europeus desconfortáveis: o continente tem aproximadamente dois anos para estabelecer infraestrutura de IA independente. Perca essa janela e a Europa se tornará o que ele chamou de “estado vassalo” sob influência dos EUA. Palavras fortes de uma empresa fundada em abril de 2023.
A aposta na infraestrutura
A Mistral está respaldando a retórica com planos concretos e muito caros. A empresa está construindo uma nova instalação de data center de 10 megawatts ao sul de Paris, que é o ponto de partida de uma ambição muito maior.
Até o final de 2027, a Mistral pretende aumentar essa capacidade para 200 megawatts em instalações na França e na Suécia. O custo estimado situa-se entre US$ 4,7 bilhões e US$ 5 bilhões.
A trajetória de crescimento da empresa tem sido notável. A Mistral atingiu uma avaliação de €5,8 bilhões em junho de 2024, pouco mais de um ano após sua fundação. Estimativas recentes agora colocam o valor da empresa em cerca de $14 bilhões.
Do laboratório de pesquisa ao parceiro industrial
No mesmo dia em que Mensch fez comentários no Wall Street Journal, a Mistral anunciou uma parceria de cinco anos com a Airbus e uma colaboração separada com a BMW. Esses não são acordos de pesquisa acadêmica. Eles sinalizam a mudança da Mistral em direção à implementação prática de IA em escala industrial.
A jogada de soberania e seus riscos
A posição da Mistral como campeã europeia de desenvolvedora de IA vem com uma ironia interessante. A lista de investidores da empresa inclui Microsoft e Andreessen Horowitz, dois dos nomes mais americanos no investimento em tecnologia.
O investimento em infraestrutura de US$ 4,7 bilhões a US$ 5 bilhões é o número a ser acompanhado. Trata-se de um compromisso de capital massivo para uma empresa avaliada em US$ 14 bilhões, o que significa que a Mistral quase certamente precisará de rodadas adicionais de financiamento ou parcerias estratégicas para executar o plano.
O prazo de dois anos delineado por Mensch também cria responsabilidade. Até meados de 2028, os observadores terão uma resposta clara sobre se a Mistral entregou infraestrutura de IA significativa ou se a Europa ainda está executando suas cargas de trabalho mais importantes em servidores americanos.
