Michael Saylor quer deixar uma coisa muito clara: a estratégia não está vendendo seu bitcoin. Não agora. Não em nenhum cenário que importe.
O presidente executivo da Strategy, empresa anteriormente conhecida como MicroStrategy, respondeu às crescentes especulações de que a empresa poderia ser forçada a vender partes de seu imenso tesouro de bitcoin para cobrir obrigações financeiras. Sua resposta foi essencialmente: sim, podemos vender uma ou duas moedas, mas estaríamos comprando 10 a 20 a mais por cada uma que sair.
A matemática por trás da mensagem
A empresa agora detém 818.334 BTC, adquiridos a um preço médio de aproximadamente US$ 75.537 por moeda. A empresa relatou um prejuízo líquido assustador de US$ 12,54 bilhões no Q1 de 2026, um valor que imediatamente levantou dúvidas sobre se a empresa poderia sustentar sua trajetória atual sem liquidar parte de suas reservas.
A estratégia possui obrigações anuais de dividendos de aproximadamente US$ 1,5 bilhão. A resposta de Saylor é que a estratégia financia suas operações e aquisições de bitcoin por meio de uma combinação de emissões de ações e instrumentos de dívida.
A frase-chave no framework de Saylor é “vendedor líquido”. Ele não está excluindo categoricamente quaisquer vendas de bitcoin. Ele está dizendo que qualquer disposição seria estrategicamente acompanhada por compras que superam drasticamente o que foi vendido. Em suas palavras, para cada bitcoin vendido, a empresa adquiriria 10 a 20 a mais.
Combatendo a narrativa de Ponzi
O entusiasta do ouro e cético persistente da criptomoeda, Peter Schiff, tem sido vocal sobre o que caracteriza como uma estrutura semelhante a um esquema Ponzi na Strategy. O argumento é mais ou menos o seguinte: a empresa emite ações e dívida para comprar bitcoin; a valorização do bitcoin torna as ações mais valiosas, o que permite emitir mais ações e dívida, que financiam mais compras de bitcoin.
Saylor rejeitou diretamente essas afirmações. Sua posição é que o bitcoin serve como ativo principal do tesouro da Strategy, e os mecanismos de equity e dívida são ferramentas padrão de finanças corporativas aplicadas a uma classe de ativos não convencional.
A empresa não está perdendo dinheiro com as operações no sentido tradicional. Ela está perdendo dinheiro porque as regras contábeis exigem que suas posições de bitcoin sejam ajustadas ao valor de mercado.
Alguns analistas descreveram a abordagem da Strategy como um “ciclo sem fim” de compra e venda de bitcoin para financiar operações. A sugestão é que, se o bitcoin subir cerca de 30%, a empresa poderia vender tranquilamente pequenas porções de seu tesouro para cobrir obrigações, enquanto ainda aumenta sua posição geral.
O que isso significa para os investidores
Para quem possui ações da Strategy ou está considerando adquiri-las, os comentários de Saylor visam abordar a maior questão existencial sobre a empresa: existe algum cenário em que a Strategy se torne um vendedor forçado de bitcoin?
O senador Bernie Moreno anunciou recentemente a próxima análise da Clarity Act, uma legislação destinada a criar um quadro regulatório mais definido para stablecoins. Embora esse projeto de lei se concentre nos rendimentos das stablecoins em vez do bitcoin diretamente, qualquer clareza regulatória no espaço das criptomoedas tende a ter efeitos em cadeia.
Com US$ 1,5 bilhão em dividendos anuais para cobrir e um balanço que oscila em bilhões conforme a movimentação diária do preço do bitcoin, investidores institucionais que acompanham esse espaço devem prestar atenção ao spread entre a base de custo da Estratégia de US$ 75.537 por moeda e o preço de mercado do bitcoin, pois esse spread é a única coisa mantendo todo o modelo solvente.

