Duas das maiores empresas da Terra acabaram de divulgar seus resultados dentro de poucas horas uma da outra, e a reação do mercado não poderia ter sido mais diferente. A Microsoft relatou aproximadamente US$ 90 bilhões em receita trimestral, um aumento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, e foi recompensada com uma alta de 8% no preço das ações. A Meta relatou US$ 60,8 bilhões em receita, uma taxa de crescimento mais rápida de 28%, e foi punida com uma queda de 10%.
Os números por trás da divergência
Os resultados do Q2 de 2026 da Microsoft foram impulsionados em grande parte pelo Azure, a divisão de computação em nuvem da empresa. Seu negócio de IA dentro do Azure atingiu uma taxa anual de $37 bilhões, um aumento de 123% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Meta contou uma história diferente. Embora sua receita bruta tenha crescido mais rapidamente que a da Microsoft em termos percentuais, os lucros caíram 14% para US$ 15,85 bilhões. O culpado foi o gasto com infraestrutura, com o orçamento de capital estimado do Meta para 2026 situando-se entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões, possivelmente até mais.
A corrida armamentista de capex acabou de começar
Os gastos de capital projetados relacionados à IA entre as principais empresas de tecnologia devem atingir de US$ 635 bilhões a US$ 665 bilhões em 2026, em comparação com aproximadamente US$ 381 bilhões em 2025. Isso representa um aumento de cerca de 70% em um único ano.
A Microsoft está direcionando seus gastos através do Azure, onde clientes corporativos pagam pelo cálculo de IA em regime de assinatura. Já o Meta está construindo infraestrutura principalmente para servir suas próprias plataformas, com seus modelos de IA impulsionando algoritmos de recomendação, segmentação de anúncios e sua família de aplicativos.
Por que os mercados de criptomoedas devem prestar atenção
Ativos digitais ligados à IA tornaram-se uma das narrativas mais proeminentes no cripto para 2026, com tokens vinculados à computação descentralizada e utilidade de IA apresentando interesse sustentado. Quando o gasto em capital da Big Tech em IA aumenta de US$ 381 bilhões para potencialmente US$ 665 bilhões em um único ano, a demanda por recursos de computação é verdadeiramente enorme, e nem tudo pode ser atendido por três ou quatro hyperscalers.
Modelos de utilidade de tokens no espaço de computação descentralizada funcionam de forma semelhante a isso: provedores fazem staking de tokens para oferecer capacidade de GPU, usuários pagam em tokens para acessar e a rede coordena o ajuste entre oferta e demanda.
O que os investidores devem observar a seguir
O negócio de IA do Azure da Microsoft, crescendo a 123% ao ano, sugere que os players centralizados estão se expandindo rapidamente. Mas um valor projetado de CAPEX acima de US$ 635 bilhões também indica que a demanda está ultrapassando até mesmo sua capacidade de construção.
A situação da Meta adiciona outra dimensão. Se a compressão de seus lucros continuar, ela pode acabar recorrendo a provedores externos de computação em vez de construir tudo internamente. Uma empresa que gasta US$ 115 bilhões ou mais anualmente em infraestrutura tem fortes incentivos para encontrar alternativas mais baratas sempre que existirem.
