
Bitcoin miner Marathon Digital Holdings, comumente conhecida como MARA, relatou uma forte inversão de lucro para um grande prejuízo líquido no segundo trimestre de 2026, mesmo tendo alcançado sua maior produção trimestral de Bitcoin em mais de um ano. Os resultados da empresa destacam o quão fortemente os mineiros permanecem ligados ao preço de mercado do Bitcoin—especialmente quando a contabilidade reflete variações no valor justo do Bitcoin mantido nos balanços.
Em seu formulário SEC 10-Q do segundo trimestre de 2026, MARA informou que registrou prejuízo líquido de US$ 611,3 milhões, ou US$ 1,60 por ação diluída, em comparação com lucro líquido de US$ 808,2 milhões, ou US$ 1,84 por ação diluída, no segundo trimestre de 2025. De acordo com o documento, a MARA minerou 2.422 bitcoin no trimestre, um aumento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas esse aumento foi mais que compensado por uma queda de 28% no preço médio do bitcoin.
Principais conclusões
- A MARA registrou prejuízo líquido de US$ 611,3 milhões no Q2, com a queda em grande parte atribuída às variações no valor de suas participações em bitcoin.
- A produção de bitcoin aumentou para 2.422 BTC no Q2 de 2026, mas o impacto na receita foi superado por uma queda de 28% no preço médio do bitcoin.
- Em 30 de junho, a MARA detinha 35.577 bitcoin avaliados em US$ 2,1 bilhões, ocupando a quarta posição entre os detentores públicos de bitcoin mencionados no contexto dos relatórios da empresa.
- A empresa utilizou o trimestre para reestruturar sua carteira de energia e sua posição de capital, enquanto avançava ainda mais na infraestrutura de IA e computação de alto desempenho (HPC).
- A MARA está visando pelo menos dois contratos de locação de data centers de IA/HPC até o final do ano, juntamente com planos adicionais de expansão no Texas e em Ohio.
Lucro-perda impulsionado pelo preço do bitcoin e pela avaliação da posição mantida
A mudança na manchete no desempenho do segundo trimestre da MARA é marcante: o lucro no Q2 de 2025 deu lugar a um prejuízo líquido no Q2 de 2026. Em seu relatório 10-Q, a MARA atribui a inversão principalmente ao impacto da movimentação do preço do bitcoin sobre o valor contábil dos bitcoins que detém, e não a uma deterioração na produção de mineração.
Essa distinção é importante para como os investidores interpretam os fundamentos das mineradoras. Os volumes de produção aumentaram, mas os ganhos gerais da empresa foram pressionados por economias realizadas mais fracas ligadas ao ambiente de preço do bitcoin. Em termos simples, mesmo um maior desempenho operacional não se traduziu em lucros líquidos mais altos quando os efeitos de valor justo e os preços médios se moveram contra a empresa.
Durante uma chamada de resultados na quinta-feira, o CFO da MARA, Salman Khan, disse, segundo os comentários da empresa, que “Duas coisas definiram o Q2 para a MARA. Os preços do bitcoin criaram um ambiente de receita desafiador [e] utilizamos o trimestre para transformar fundamentalmente nossa carteira de energia e estrutura de capital.”
Maior saída, preço médio mais baixo
O desempenho de mineração da MARA no Q2 de 2026 foi comparativamente forte do ponto de vista operacional. A empresa minerou 2.422 bitcoin, cerca de 3% a mais que o mesmo trimestre do ano anterior. No entanto, o preço médio do bitcoin caiu 28% no mesmo período de comparação, o que prejudicou diretamente a receita vinculada ao bitcoin minerado BTC e outros itens relacionados ao bitcoin.
Essa é uma tensão recorrente no modelo de mineradores: quando os preços do BTC caem, o crescimento da produção pode ser atenuado por efeitos de precificação e avaliação. O trimestre da MARA ilustra esse ponto — a força da produção sozinha não foi suficiente para contrabalançar a queda impulsionada pelo mercado nos preços médios.
Além dos números de mineração, o balanço de Bitcoin da empresa também permaneceu significativo. Em 30 de junho, a MARA relatou detenções totais de 35.577 Bitcoin, com valor justo total de US$ 2,1 bilhões, refletindo tanto a acumulação contínua de tesouraria quanto a sensibilidade das demonstrações financeiras às variações na avaliação do BTC. Nesse snapshot, a empresa foi descrita como a quarta maior detentora pública de Bitcoin, após Strategy, Twenty One Capital e Metaplanet.
MARA avança com acordos de infraestrutura de IA e HPC
Embora a mineração permaneça central nos negócios da MARA, a empresa continua a estruturar seu crescimento de longo prazo em torno da expansão da infraestrutura computacional para IA e cargas de trabalho de alto desempenho. No início de 2026, adquiriu uma participação majoritária na Exaion SaS, que opera centros de dados de alto desempenho e infraestrutura segura em nuvem e de IA.
MARA também avançou para acelerar o desenvolvimento de centros de dados por meio de parcerias. Em fevereiro, anunciou uma parceria estratégica com a Starwood Capital Group e a Starwood Digital Ventures com o objetivo de possibilitar a conversão de locais selecionados da MARA para atender à demanda de “clientes empresariais, hiperescaláveis e de IA”.
Na quinta-feira, a MARA reiterou que está buscando marcos comerciais de curto prazo vinculados a esses planos. A empresa afirmou que tem como meta assinar pelo menos dois contratos de locação de IA/HPC até o final do ano. O CEO Fred Thiel disse, conforme a chamada de resultados, que as discussões sobre locação estão avançando em vários locais e que a MARA permanece confiante de que poderá assinar pelo menos dois contratos antes do final do ano.
Os planos de terra no Texas e a aquisição de energia no Ohio ampliam o prazo
A expansão da infraestrutura da MARA inclui tanto novas terras quanto recursos energéticos adicionais. Em julho, a empresa concordou em adquirir um terreno de 1.200 acres com energia em Matagorda County, Texas, com acesso esperado de até 2 gigawatts de capacidade da rede até abril de 2028. A MARA afirmou que o local destina-se a cargas de trabalho de IA e HPC, bem como à mineração de bitcoin.
A empresa também continua a buscar capacidade energética por meio de uma aquisição pendente da Long Ridge Energy & Power em Ohio. A MARA descreveu o acordo de US$ 1,5 bilhão como uma possível fonte de até 600 megawatts de carga para IA e TI crítica ao longo do tempo, indicando que considera o acesso à energia como um fator essencial para operações tradicionais de mineração e novas fontes de receita ligadas à computação empresarial.
Mineração ainda o núcleo — IA descrita como complemento, não substituição
Em uma carta aos acionistas divulgada junto com seus resultados trimestrais, Thiel disse que a mineração de bitcoin permanece a base do negócio da MARA e que o fluxo de caixa gerado pela mineração continuará a apoiar outros investimentos.
Ele também contestou a ideia de que a MARA está se afastando da mineração. “Em última análise, não vemos a mineração de bitcoin e a infraestrutura de IA como negócios concorrentes”, disse Thiel, segundo a carta. Ele enfatizou ainda um princípio de alocação de capital focado em destinar cada megawatt para o que ele descreveu como sua aplicação de maior valor — às vezes mineração em certos mercados e, em outros, infraestrutura de IA, nuvem soberana ou computação empresarial.
Para os leitores que acompanham a MARA, a questão-chave é quão rapidamente esses esforços em IA/HPC poderão gerar fluxos de caixa estáveis menos dependentes do preço à vista do bitcoin. No curto prazo, as metas da empresa—como pelo menos dois contratos de locação de IA/HPC até o final do ano—oferecerão um indicador mais claro sobre se a transformação operacional sugerida no Q2 poderá se traduzir em atratividade comercial mensurável. Os investidores também desejarão observar como os próximos trimestres refletirão tanto a produção de mineração quanto o impacto das variações no preço do bitcoin sobre a avaliação das participações, já que isso permanece o fator dominante na recente oscilação dos resultados.
Este artigo foi originalmente publicado como MARA Relata Prejuízo no Q2 à Medida que o Bitcoin Cai Apesar do Aumento na Produção no Crypto Breaking News – sua fonte confiável para notícias de criptomoedas, notícias do Bitcoin e atualizações da blockchain.

