A Malásia está fazendo uma aposta calculada no hardware de IA da Huawei enquanto desenvolve capacidades de inteligência artificial soberana, posicionando-se como um dos poucos países dispostos a manter ambos os fornecedores de chips americanos e chineses na lista de contatos rápidos.
A jogada do chip e suas consequências
Em maio de 2025, a Malásia anunciou planos para implantar aproximadamente 3.000 chips de IA Huawei Ascend até 2026 como parte de um projeto de IA soberana. A iniciativa foi projetada para estabelecer infraestrutura de IA de pilha completa, um tipo de configuração que daria ao país controle completo sobre seus próprios sistemas de inteligência artificial, em vez de alugar capacidade de provedores de nuvem estrangeiros.
O projeto foi impulsionado pela Skyvast, uma empresa privada que trabalha em conjunto com o modelo de linguagem de grande porte da DeepSeek. Dentro de poucos dias, o governo da Malásia se esforçou para se distanciar do anúncio. A vice-ministra das Comunicações, Teo Nie Ching, esclareceu que o projeto não contava com endosso oficial. Ela acrescentou que a Huawei não havia vendido nenhum chip na Malásia.
Huawei aumenta ainda assim
Em abril de 2026, a Huawei inaugurou seu primeiro Laboratório de IA e Centro de Inovação localizado fora da China, escolhendo Kuala Lumpur como local. A instalação abrange 13.638 pés quadrados. O Primeiro-Ministro Anwar Ibrahim compareceu ao lançamento e enfatizou que, embora a tecnologia possa originar-se de diversos países, as regulamentações que governam seu uso serão estabelecidas na Malásia.
A colaboração deu outro passo adiante em julho de 2026, quando a Huawei Malásia assinou um Memorando de Entendimento com a Agência Nacional de Cibersegurança, conhecida como NACSA. O acordo concentra-se em iniciativas de segurança de IA e soberania digital, conferindo formalmente à Huawei um papel na ajuda à Malásia para garantir a infraestrutura de IA que é alimentada pelo hardware da Huawei.
Andando na corda bamba
O governo afirmou publicamente uma estratégia de múltiplos fornecedores para chips de IA, o que significa que os produtos de Nvidia e Huawei podem ser adquiridos sob orientação regulatória alinhada ao Plano Estratégico Nacional de Semicondutores.
Os chips representam aproximadamente 40% da economia de exportação da Malásia, tornando o país um dos nodes mais importantes da cadeia global de suprimentos de semicondutores.
A criação de um Escritório Nacional de IA sublinha o quanto o governo leva a sério esse equilíbrio. A Malásia estabeleceu como meta tornar-se uma nação impulsionada por IA até 2030, e o escritório tem como objetivo coordenar a estratégia entre agências governamentais, parceiros do setor privado e colaboradores internacionais.
