Um consultor econômico do primeiro-ministro japonês Sanae Takaichi projeta que o Banco do Japão elevará sua taxa de juros de política na reunião de 17 a 18 de setembro, levando-a a 1,25%. Isso marcaria a taxa de política mais alta do Japão em décadas, uma mudança significativa para uma administração que construiu sua identidade econômica sobre princípios expansionistas e de reativação.
Takuji Aida, que atua como economista-chefe do Japão no Crédit Agricole e assessora Takaichi em questões econômicas, apresentou uma previsão que vai muito além de um único aumento. Ele projeta aumentos trimestrais das taxas de setembro a janeiro de 2027, seguidos por ajustes semestrais após esse período.
De pomba a falcão relutante
Aida passou de uma postura dove para apoiar aumentos mais rápidos nas taxas. O catalisador é simples: o iene tem se enfraquecido, os riscos inflacionários estão aumentando e os preços dos serviços continuam subindo.
A taxa de juros atual do BOJ está em 1%. Um aumento de 25 pontos-base para 1,25% já está em grande parte precificado nos mercados, sugerindo que os investidores haviam interpretado o cenário antes de Aida confirmar a direção a ser seguida.
Pressão externa encontra realidade interna
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pediu ação decisiva do BOJ para estabilizar o iene, acrescentando uma camada de pressão internacional sobre Tóquio para agir.
Aida reconheceu diretamente a tensão, alertando sobre as consequências econômicas de apertar muito rapidamente. O objetivo, conforme ele o apresentou, é o equilíbrio: suficiente aperto para estabilizar a moeda e reduzir a inflação, mas não tanto a ponto de sufocar a recuperação econômica que o Japão passou anos tentando construir.
O parlamento do Japão também está programado para discutir a suspensão de uma taxa de 8% sobre itens alimentícios por dois anos durante uma sessão extraordinária agendada para início de outubro. Essa medida fiscal, se aprovada, compensaria parcialmente o efeito restritivo das taxas mais altas sobre os consumidores.
