O Banco da Itália exige que provedores de serviços de ativos criptográficos no país realizem verificações de sanções nas informações do remetente e do destinatário antes de executar transferências de clientes, e não podem pular essas verificações por causa de valores de transação baixos. Essa declaração não introduz novas regras, mas reafirma que os requisitos europeus já estão em vigor na Itália.
Não definir um limite mínimo de triagem
De acordo com o aviso emitido pelo Banco da Itália em 7 de setembro, os provedores de serviços de ativos criptográficos (CASPs) devem confirmar que seus sistemas internos de triagem não possuem um limite mínimo de valor para transações. Qualquer transferência, seja de 1 euro ou de valor maior, deve passar pelo processo de triagem de sanções.
Este requisito refere-se às configurações de controle automatizado, e não exige que os profissionais de conformidade revisem manualmente cada uma das pequenas transações. As instituições ainda podem utilizar sistemas automáticos para comparar as informações dos clientes e das transações com listas de sanções; em caso de correspondência suspeita, prossegue-se para uma revisão adicional.
Uma razão para remover o limite de valor é impedir que entidades sancionadas dividam transferências de grande valor em várias transações menores para contornar a verificação do sistema.
As obrigações relacionadas entraram em vigor no final do ano passado.
O Banco da Itália destaca que as obrigações fundamentais decorrem das diretrizes da Autoridade Bancária Europeia (EBA) sobre políticas e controles internos para a implementação de medidas restritivas da União Europeia e dos seus Estados-Membros. Essas diretrizes foram incorporadas ao quadro regulatório nacional através do documento nº 52 do Banco da Itália de 19 de maio de 2025 e passam a ser aplicáveis a partir de 30 de dezembro de 2025.
Portanto, esta comunicação de setembro é mais um lembrete regulatório do que um novo obstáculo legal. A ênfase regulatória está em verificar se as instituições relevantes já configuraram e calibraram seus sistemas de triagem existentes conforme exigido.
O Banco da Itália também enfatizou que obter a autorização do MiCA não substitui as obrigações de conformidade com sanções. O MiCA abrange principalmente requisitos de licenciamento, governança e operação, enquanto as medidas restritivas da União Europeia ainda precisam ser implementadas separadamente.
Instant payment exceptions do not apply to cryptocurrency transfers
As regras europeias estabelecem diferentes métodos de triagem para certas transferências de crédito em tempo real. Devido à velocidade de liquidação, alguns prestadores de serviços de pagamento podem alternar para a triagem de todos os clientes pelo menos uma vez por dia e atualizar as verificações quando novas medidas restritivas entrarem em vigor.
No entanto, o Banco da Itália deixou claro em documentos de 2025 que essa exceção não se aplica às transferências criptográficas processadas por CASPs. Mesmo que as transações na blockchain sejam confirmadas rapidamente, os prestadores de serviços criptográficos ainda devem concluir a verificação das informações necessárias antes da execução.
Além da verificação da lista de sanções, as instituições relevantes devem também cumprir as diretrizes separadas da EBA sobre a Travel Rule, tratando questões de informações ausentes ou incompletas do remetente e do destinatário nas transferências.
Provedores de serviços de criptomoeda enfrentam pressão para revisão do sistema
Este lembrete significa que os provedores de serviços de criptomoeda na Itália devem verificar rapidamente se seus controles atuais de sanções abrangem todos os valores de transação, além de confirmar se a frequência de atualização das listas de sanções, os processos de tratamento de alertas e os registros de auditoria estão em vigor.
Além da correspondência de nomes, a identificação de endereços na cadeia também é um desafio. Apenas a triagem por nome não é suficiente para identificar associações entre endereços e entidades sancionadas, intermediários relacionados ou serviços restritos.
Portanto, algumas instituições podem precisar combinar a triagem de clientes com análise on-chain. No entanto, os resultados da análise on-chain ainda exigem julgamento humano, pois a propriedade dos endereços pode mudar e algumas transações podem ser apenas indiretamente relacionadas.
O Banco da Itália não divulgou um novo prazo para correção nem nomeou objetos específicos de investigação ou casos de sanção. Para os operadores locais de criptomoedas, o próximo passo mais realista é criar um registro escrito de revisão, confirmando que as configurações do sistema, o escopo das listas e os processos de atualização cobrem cada transferência.


