Artigos da mídia estrangeira afirmam que, após uma empresa ser incluída no S&P 500, a primeira mudança geralmente não é na receita, lucro ou capacidade produtiva, mas sim na quantidade de capital no mercado obrigada a detentar essa ação. Para ETFs, fundos mútuos e contas institucionais que rastreiam esse índice, a alteração na composição significa a necessidade de reequilibrar as carteiras simultaneamente.
Compra mecânica do fundo passivo
O S&P 500 é mantido pela S&P Dow Jones Indices e cobre o mercado de ações de grande porte dos Estados Unidos. Para ser incluído nesse índice, uma empresa geralmente precisa atender a critérios como capitalização de mercado, liquidez, proporção de ações em circulação e rentabilidade; no entanto, atender aos requisitos não garante a inclusão, pois a decisão final é tomada pelo compilador do índice conforme seus métodos estabelecidos.
O artigo destaca que a tarefa dos fundos indexados não é avaliar se uma ação está cara ou barata, mas sim replicar o índice o mais fielmente possível. Portanto, assim que novas ações forem oficialmente incluídas, os fundos que rastreiam o S&P 500 devem comprá-las conforme seus pesos.
Por exemplo, com ponderação pelo valor de mercado flutuante, se uma nova ação incluída tiver um peso de 0,5% no índice, um fundo de US$ 100 bilhões que replica integralmente o S&P 500 precisaria, teoricamente, alocar cerca de US$ 500 milhões nessa ação. A demanda acumulada proveniente de ETFs, fundos de pensão e carteiras institucionais gera uma compra concentrada.
Após inclusão, o aumento não é necessariamente contínuo
O artigo menciona que o mercado costumava chamar esse fenômeno de "efeito de índice". Ou seja, entre o anúncio da inclusão e sua implementação oficial, as ações relacionadas frequentemente se fortalecem primeiro, pois alguns investidores se posicionam antecipadamente, aguardando o capital passivo.
No entanto, uma pesquisa da S&P Dow Jones Indices mostra que esse efeito se enfraqueceu significativamente entre 1995 e 2021. Com o aumento da liquidez do mercado e a melhor incorporação das expectativas de negociação, os investidores absorveram as informações sobre ajustes de componentes mais cedo, tornando o impacto da inclusão no preço das ações menos pronunciado do que no passado.
Isso também significa que a inclusão no S&P 500 pode gerar demanda adicional, mas não garante que o preço da ação mantenha sua alta a longo prazo. Após o evento, o desempenho da ação voltará a depender de fatores fundamentais, como lucros, valoração, ambiente econômico e expectativas do mercado.
A avaliação a longo prazo não necessariamente aumentará por isso
O artigo também cita pesquisa do Federal Reserve Bank of New York, indicando que as empresas que entram no S&P 500 geralmente já passaram por crescimento de lucros, expansão de capitalização de mercado e alta de preços de ações antes da inclusão. Em outras palavras, muitas empresas entram no S&P 500 porque já se tornaram maiores e apresentam desempenho mais forte, e não porque se tornam mais valiosas após a inclusão no índice.
A pesquisa descobriu que, após remover o desempenho forte antes da inclusão, simplesmente se tornar um componente do S&P 500 não leva automaticamente a um aumento permanente na avaliação.
Portanto, a inclusão no S&P 500 é mais como uma mudança na estrutura de posições. Ela alterará quem precisa comprar essa ação e afetará a oferta e a demanda no curto prazo, mas não alterará diretamente a realidade operacional da empresa.
