O Fundo Monetário Internacional revogou uma de suas afirmações mais incômodas sobre o estoque de bitcoin de El Salvador. Após passar a maior parte de um ano insistindo que o acúmulo relatado de bitcoin pelo país não era nada mais do que moedas sendo transferidas entre carteiras governamentais, o FMI agora confirma que as reservas de El Salvador realmente aumentaram, financiadas inteiramente por doações privadas e não pelos cofres públicos.
A concessão é importante porque remove uma nuvem que pairava sobre o programa de Facilidade Ampliada de Financiamento de US$ 1,4 bilhão de El Salvador. Um acordo ao nível da equipe abrangendo a segunda e a terceira revisões desse programa poderia liberar aproximadamente US$ 140 milhões em desembolsos, sujeito à aprovação do Conselho Executivo.
Da movimentação de carteiras para crescimento real
Volte a cerca de um ano atrás. A posição do FMI era de que as reservas de bitcoin de El Salvador na verdade não aumentaram em nada. O fundo argumentou que o que parecia ser compras eram simplesmente transferências internas, moedas se movendo de uma carteira controlada pelo governo para outra, sem alteração líquida nas posições.
Agora, o FMI atualizou formalmente sua avaliação. Cada bitcoin adicionado aos ativos do governo desde 27 de junho de 2025 veio de doações privadas, não de dinheiro dos contribuintes. O estoque total de El Salvador situa-se em aproximadamente 7.764 BTC no início de setembro de 2026.
A transição de “nada mudou” para “cresceu, mas por meio de doações” é notável. Isso significa que o FMI está reconhecendo o acúmulo real, ao mesmo tempo em que confirma que El Salvador não violou a condição fundamental de seu acordo de resgate: nenhum recurso público sendo direcionado para posições especulativas em criptoativos.
A carteira Chivo recebe um novo proprietário
El Salvador transferiu a maioria da propriedade e o controle operacional do Chivo, sua carteira de bitcoin apoiada pelo governo, para um operador privado. O governo mantém uma participação minoritária e responsabilidades de custódia, mas a gestão do dia a dia não é mais uma função estatal.
O Chivo foi lançado em setembro de 2021 como a ferramenta principal para o experimento de legalização do bitcoin em El Salvador. Ele vinha pré-carregado com $30 em bitcoin para cada cidadão que se inscrevesse. A privatização alinha-se à preferência mais ampla do FMI por reduzir a exposição direta do Estado às operações relacionadas ao bitcoin, uma condição incorporada no acordo do Facility Ampliado que começou em fevereiro de 2025.
O que o acordo com o FMI significa financeiramente
O acordo de nível técnico anunciado em 3 de setembro de 2026 abrange as segundas e terceiras análises combinadas do programa do FMI para El Salvador. Se o Conselho Executivo aprovar, será liberado aproximadamente $140 milhões, equivalente a SDR 101,96 milhões na moeda contábil do FMI.
O FMI também elevou sua previsão econômica para El Salvador, projetando um crescimento do PIB real de 4,5% para 2026.
O quadro mais amplo para estratégias soberanas de bitcoin
A avaliação atualizada do FMI adiciona nuances ao debate sobre a experiência do El Salvador com o bitcoin. O fundo está efetivamente confirmando que o El Salvador encontrou uma maneira de aumentar suas reservas de bitcoin sem violar os termos do resgate. As condições rígidas impostas pelo FMI — nenhum recurso público para compras de bitcoin, privatização da carteira, requisitos rigorosos de relatório — ilustram o quão estreito é o caminho para qualquer soberania que tente integrar o bitcoin ao seu sistema financeiro mantendo o acesso aos empréstimos internacionais tradicionais.
O próprio mecanismo de doação levanta questões. Quem exatamente está doando milhares de bitcoin ao governo salvadorenho e por quê? A análise do FMI confirma que a fonte não é dinheiro público, mas a identidade e as motivações dos doadores privados permanecem uma questão em aberto.

