Fundos de hedge fizeram uma aposta muito grande contra o iene japonês, e depois o iene se moveu contra eles. Dados da CFTC mostram que fundos alavancados acumularam posições curtas líquidas de aproximadamente 138.000 contratos em futuros de iene até 30 de junho de 2026, o maior nível desde 2007. O iene então se fortaleceu fortemente, seguido por uma desfazimento rápido.
Como a negociação ficou tão grande
A lógica por trás da venda a descoberto do iene era simples: o Japão mantinha as taxas de juros próximas a zero, enquanto o Federal Reserve dos EUA mantinha as taxas em níveis significativamente mais altos. Empréstimos em moeda de baixa taxa para investir em ativos com rendimentos mais altos — o clássico carry trade — tornaram o iene uma moeda de financiamento natural para fundos globais.
A taxa de câmbio USD/JPY refletiu a pressão. O par ultrapassou brevemente 162, o que significa que o iene estava em seu nível mais fraco contra o dólar desde 1986.
A intervenção que mudou tudo
O Ministério das Finanças do Japão agiu com determinação. A intervenção coordenada pelos EUA e pelo Japão no final de julho e início de agosto de 2026 fez o mercado lateralizar. O Japão já havia gasto aproximadamente 11,73 trilhões de ienes, o equivalente a cerca de US$ 72,7 bilhões, entre o final de abril e o final de maio, em rodadas anteriores de suporte à moeda.
O efeito sobre a posição foi rápido e significativo. Em 4 de agosto de 2026, os contratos curtos líquidos detidos por fundos alavancados caíram para aproximadamente 63.600, uma redução de mais de 50% em poucas semanas.
O mais recente relatório de compromisso dos traders da CFTC, abrangendo a semana encerrada em 25 de agosto de 2026, mostrou que grandes especuladores detinham uma posição curta líquida de 63.298 contratos, uma redução de 10.405 contratos em relação à semana anterior. Os fundos alavancados especificamente estavam em uma posição curta líquida de 77.042 contratos na mesma data.
O que os short positions restantes significam para os mercados
Analistas do JPMorgan destacaram que as posições bearish restantes são estimadas em mais de US$ 100 bilhões em valor nocional, e eles projetam risco significativo de cobertura acelerada de vendas se o USD/JPY cair abaixo de 155.
A preocupação do JPMorgan com os mais de US$ 100 bilhões restantes de exposição baixista é essencialmente um aviso de que o episódio de volatilidade pode não ter terminado. Com 77.042 contratos líquidos vendidos ainda em carteiras de fundos alavancados até o final de agosto, o mercado absorveu uma grande desmontagem, mas não eliminou totalmente a posição. Qualquer novo catalisador — seja uma mudança na taxa do Banco do Japão, outra rodada de intervenção ou uma alteração nas expectativas de taxas dos EUA — poderia reiniciar o squeeze.
